EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Maduro exclui partidos opositores de eleição presidencial de 2018

Presidente Nicolás Maduro se consolida para provável campanha à reeleição em 2018 e promete excluir de disputa presidencial partidos de Henrique Capriles e Leopoldo López, que boicotaram votação municipal neste domingo

O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2017 | 21h18
Atualizado 10 Dezembro 2017 | 23h50

CARACAS - Após o boicote dos três principais partidos opositores à eleição de prefeitos ontem na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro garantiu que eles seriam excluídos da disputa presidencial de 2018. “Esse foi o critério que a Assembleia Nacional Constituinte estipulou”, justificou o líder chavista, após votar em Caracas. A Constituinte é composta apenas por chavistas.

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Com a retaliação, o Vontade Popular (VP), de Leopoldo López, o Primeiro Justiça (PJ), de Henrique Capriles, e o Ação Democrática (AD), do ex-presidente do Parlamento Henry Ramos Allup, ficariam proibidos de participar da disputa pelo Palácio de Miraflores, para a qual Maduro deve chegar fortalecido porque o chavismo deveria obter a a maioria das 335 prefeituras na votação de ontem, conforme projeções.

(Os partidos) não poderão participar, desaparecerão do mapa político”, enfatizou Maduro. “Não posso entender que um grupo de dirigentes políticos da direita tenha se retirado. Se não querem eleições, para onde vão? Qual é a alternativa? As armas? A guerra?”, completou o líder, ao lado da presidente da Constituinte, Delcy Rodríguez.

“Desde já temos que nos preparar para as eleições presidenciais, porque vai ser uma grande festa eleitoral”, afirmou Maduro.

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Municípios

Sem clima eleitoral nas ruas, as filas curtas marcaram o dia de votação ontem nos colégios eleitorais. Com a crise econômica cada vez mais grave, o comparecimento de eleitores foi baixo em Caracas e outras grandes cidades como San Cristóbal, na fronteira com a Colômbia, segundo observadores. Ainda assim, Maduro garantiu que a participação nas eleições foi “extraordinária”.

Atualmente, os bolivarianos governam 242 municípios e a oposição, 76. Os demais são administrados por dissidentes do governo ou independentes. Além dos 335 municípios, ontem ocorreu a eleição para governador no Estado de Zulia, após o opositor Juan Pablo Guanipa, eleito em outubro, se recusar a jurar lealdade à Assembleia Constituinte e ser impedido de assumir o cargo.

Com desânimo estampado no rosto, Víctor Torres, motorista na cidade de Maracaibo, acredita que votar não resolve o maior problema do país: a alta inflação, com preços subindo 2.000% este ano, segundo analistas. “Outro dia, fui comprar banana. De manhã, custava 1.900 bolívares e, de tarde, 3.000. É impossível viver assim. Estou decepcionado com os políticos”, disse Torres.

Depois de os chavistas conquistarem uma surpreendente vitória na eleição de governadores em outubro - vencendo em 18 dos 23 Estados -, o governo passou as últimas semanas fazendo campanha para convencer os venezuelanos a participar da votação municipal.

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Um funcionário de uma agência governamental afirmou que os eleitores, em especial os que dependem dos programas de assistência, receberam “enxurradas de mensagens” pedindo que enviassem seus comprovantes de votação em sites oficiais. “Não nos deixam em paz”, disse o empregado de um ministério chavista de forma anônima. “Está ainda pior do antes. Estão desesperados para legitimar a votação.” O Ministério de Informação não comentou a denúncia de que o governo pressionou eleitores a votar.

Opositores

Em Chacao, bastião da oposição em Caracas, muitos eleitores resolveram comparecer aos centros de votação, desafiando o pedido de abstenção feito pela coalizão Mesa da Unidade Democrática.

“Temos que defender nossos espaços”, disse Adriana Sánchez, publicitária de 35 anos. “Não acredito no Conselho Nacional Eleitoral e não ia votar, mas mudei de ideia porque será fatal se o chavismo vencer a eleição aqui. Teremos o mesmo desastre que no restante do país, onde falta comida e remédios.”

“Não participar seria entregar as chaves de Chacao ao governo (de Maduro)”, disse Gustavo Duque, que assumiu interinamente a administração do município depois que o prefeito Ramón Muchacho fugiu para os EUA, em agosto, após ser condenado a 15 anos de prisão.

Os opositores também tentavam manter o controle de Zulia. O ex-governador Manuel Rosales disputa o cargo pela oposição, mas apoiadores de Guanipa e membros de setores anti-chavistas o acusam de ser um traidor. / REUTERS, AFP e EFE

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