Eleições em Honduras podem não ser reconhecidas

Os hondurenhos terão amanhã eleições que não devem ser reconhecidas por grande parte da comunidade internacional, por conta da ausência de observadores internacionais. O pleito não terá representantes da União Europeia, Organização dos Estados Americanos (OEA) e do Centro Carter, que costuma participar de eleições como observador de caráter técnico.

AE-AP, Agencia Estado

28 Novembro 2009 | 15h58

Hoje pela manhã, o diretor Carlos Romero, responsável pela logística do Supremo Tribunal Eleitoral, informou que o material eleitoral já foi distribuído em todo o país. O chefe do Conjunto Maior de Estado das Forças Armadas, Vásquez Velásquez, afirmou ao jornal local La Tribuna, que os soldados já estão nas ruas para garantir a segurança. Ele garantiu que a população não deve temer ir à votação.

O presidente deposto do país, José Manuel Zelaya, pede que os eleitores não votem. Ele afirma que as eleições presidenciais não devem ser reconhecidas, pois foram organizadas e serão realizadas sob o regime golpista. Na madrugada deste sábado, uma pequena bomba, possivelmente uma granada de fragmentação, explodiu no escritório da Rádio América e uma outra na praça Morazán, uma das principais da capital Tegulcigapa.

Na última semana, praticamente em todas as noites foram ouvidas explosões em diferentes locais da capital hondurenha. A Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado, formada no mesmo dia em que Zelaya foi deposto, no dia 28 de junho, convocou um "toque de recolher", pedindo à população que evite deixar suas casas entre seis da manhã e seis da tarde. Em Honduras, há pena de quatro a seis anos para aqueles que incitarem a população a não votar.

A população hondurenha está dividida sobre a atuação do governo de fato, que assumiu o poder após o golpe. O presidente de fato, Roberto Micheletti, que havia anunciado que deixaria a vida pública para não interferir no processo eleitoral, pediu, em entrevista a uma radio local, que os hondurenhos "não coloquem as bombas que estão matando nossa gente porque o país não merece isso, precisa apenas ter paz e viver em uma democracia".

Zelaya classificou as eleições como "ilegais" e como forma de legitimar um golpe de Estado. "Aquele que for eleito de eleições ilegais será igualmente um ilegal", afirmou ele, que segue abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa, desde 21 de setembro.

Cerca de 4,6 milhões de hondurenhos devem ir às urnas para eleger presidente, congressistas e prefeitos. Pesquisa realizada esta semana dava cômoda vantagem para o candidato do Partido Nacional, Porfirio Lobo, sobre Elvin Santos, do Partido Liberal, o mesmo do presidente deposto Zelaya.

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