Eleições locais viram teste para governo de Merkel

A chanceler alemã, Angela Merkel, terá sua popularidade e seu governo testados hoje, nas eleições locais do Estado da Renânia do Norte-Vestfália. A votação pode colocar em jogo a capacidade de Merkel de governar o país. Estado com a maior população da Alemanha, a Renânia do Norte-Vestfália é controlada por um membro do partido da chanceler, Jürgen Rüttgers. Se ele for derrotado, Merkel perderá a maioria na Câmara Alta do Parlamento, o Bundesrat, assim como toda sua capacidade de aprovar leis e reformas.

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2010 | 00h00

Todos os principais projetos de Merkel para seu segundo mandato estão suspensos, esperando a definição política da região. Entre as reformas que podem ficar paradas está a tributária, uma de suas promessas de campanha.

Uma reforma do sistema de saúde e mesmo o que fazer com as usinas nucleares alemãs dependem de uma definição das eleições de hoje.

Sem uma maioria no Bundesrat, Merkel dependerá de negociações com a oposição e amplas concessões. As eleições na Renânia do Norte-Vestfália não poderiam ter vindo em um momento mais difícil para Merkel.

Ajuda. Na sexta-feira, ela teve de usar sua maioria no Parlamento para aprovar uma lei que garante 22 bilhões em ajuda para a Grécia. A decisão de usar recursos de contribuintes alemães para ajudar outro país fez Merkel despencar nas pesquisas de opinião: 57% da população da Alemanha acredita que salvar a Grécia com recursos tirados do próprio bolso "é algo ruim".

Nas eleições decisivas de hoje, seu partido, a União Democrática Cristã (CDU), perdeu a vantagem de 11 pontos porcentuais que tinha em relação ao Partido Social-Democrata (SPD), liderado na região por Hannelore Kraft.

Sem o apoio da Renânia do Norte-Vestfália no Bundesrat há risco de que novos pacotes de ajuda a outros governos da zona do euro ou reformas na política monetária da moeda única sejam minados pela oposição.

Virada eleitoral. O resultado da eleição de hoje pode marcar a virada do SPD, em franca queda nos últimos anos. Os socialistas poderiam retomar o fôlego e voltar a concorrer ao posto que hoje é de Merkel.

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