AP Photo/Dolores Ochoa
AP Photo/Dolores Ochoa

Eleitores de candidatos da oposição temem fraude

Correa indicou maioria dos agentes eleitorais e pode impedir que disputa vá para o 2º turno, dizem opositores

Luiz Raatz / Enviado Especia, Quito, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2017 | 05h00

A oposição foi às urnas ontem no Equador temendo irregularidades na apuração em favor do candidato do governo, Lenín Moreno. Em ao menos três colégios eleitorais da capital, a maioria dos simpatizantes de Lasso entrevistados pelo Estado disseram que veriam com suspeita qualquer atraso na divulgação de resultados oficiais. 

“Espero que, nestas eleições, a minha vontade seja democraticamente respeitada”, disse o administrador Alfonso Sevilla, após votar no Colégio La Dolorosa, área nobre de Quito. “Sabemos que temos votos para ir ao segundo turno. Qualquer sinal de fraude, iremos para as ruas.”

Os centros de votação eram fiscalizados por policiais e oficiais do Exército, além de funcionários do Conselho Nacional Eleitoral. Fotos eram proibidas e filas eram comuns. A cédula de votação, em papel, confundia alguns eleitores. “Tenho dúvidas se os votos serão contados direito”, afirmou a aposentada Verónica Ojeda. “Basta de socialismo. Não confio neles.”

Em um colégio próximo à Plaza Santo Domingo, no centro histórico de Quito, muitos eleitores da oposição também temiam a fraude. “Eles controlam todas as instituições. Quem me garante que haverá honestidade nos resultados”, disse a estudante Salomé Rodríguez. 

Eleitores de Lenín Moreno, porém, estavam confiantes na vitória ainda no primeiro turno. “Precisamos continuar avançando. A revolução cidadã não pode parar”, disse Antonio Kusimayu. “Não quero os banqueiros de volta no poder.”

Para analistas, o temor de fraude ocorre porque o presidente Rafael Correa nomeou, ao longo de dez anos, a maioria dos responsáveis pela Justiça Eleitoral. Além disso, a negativa do governo em divulgar quais funcionários estão envolvidos em denúncias de corrupção com a Odebrecht acentuou a impressão de que Correa tentará impedir uma derrota. “Correa deixa para o sucessor um aparato burocrático que lhe é leal”, disse Walter Spurrier, da Consultoria Spurrier.

O cientista político Simón Pachano, da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (Flacso), também não descarta a possibilidade de fraude. “A cadeia de custódia das urnas pode ser violada”, disse. “Se Lenín Moreno tiver uma votação que não o permita vencer no primeiro turno, é factível uma fraude.” 

Mais conteúdo sobre:
Equador Rafael Correa Lenín Moreno

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.