REUTERS/Dan Kitwood
REUTERS/Dan Kitwood

Rainha Elizabeth completa 90 anos

Rainha britânica celebra mais uma data importante após recorde no trono

Renata Tranches, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2016 | 05h00

"Declaro diante de todos vocês que toda a minha vida, seja ela longa ou curta, será dedicada a seu serviço e ao da nossa grande família imperial.” Assim tem sido a vida da rainha britânica Elizabeth II que na quinta-feira chegará aos 90 anos. 

Desde que fez esse pronunciamento, seu primeiro, aos países da Comunidade Britânica (Commonwealth), em 1947, ela testemunhou ou participou de alguns dos mais importantes eventos da história europeia com uma capacidade quase inigualável de se adaptar às mudanças dos novos tempos. 

Com esse espírito, transformou, em seus 63 anos de reinado, uma monarquia imperial em chefia de Estado de uma grande e diversa família de nações. Ao mesmo tempo, ela tem de lidar com episódios e escândalos familiares que estampam diariamente jornais e tabloides no reino. 

Gastando muita sola de seus luxuosos Anello & Davide (seus tradicionais sapatos), Elizabeth visitou incansavelmente, nesses anos, os 53 países que fazem parte dessa associação, a maioria ex-colônias britânicas, mantendo a unidade que ajudou a preservar, ao longo das décadas, a imagem e o papel da potência britânica. 

Essa característica, na opinião do diretor de Estudos em História do Queens’ College (Cambridge), Andrew C. Thompson, cultivou a popularidade não só da rainha, mas da família real. “Sua capacidade de incorporar um senso de unidade nacional, particularmente em tempos de crise política, tem sido muito importante”, disse, em entrevista ao Estado. 

A rainha leva essa tarefa com afinco e disposição no auge dos seus quase 90 anos. No início deste mês, o Palácio de Buckingham relançou o site oficial da família real. Segundo jornais britânicos, o objetivo era ampliar o foco nas redes sociais e no público jovem – 60% da população da Comunidade Britânica tem menos de 30 anos. O site não foi lançado antes de passar pelo crivo da rainha. 

No entanto, os mesmos jornais especulam se Elizabeth reduzirá o ritmo ao entrar em sua nona década de vida. Em seu discurso em uma reunião da Comunidade Britânica, no ano passado em Malta, ela elogiou longamente seu filho Charles, herdeiro do trono. “Não poderia desejar um melhor parceiro e representante na Comunidade Britânica do que o príncipe de Gales para continuar a dar tanto a ela com grande distinção.” 

A declaração deu asas a especulações de que poderia ser um sinal de que Elizabeth passaria o comando da Comunidade Britânica para Charles antes de sua morte, como escreveu o editor do blog The Royalist, ligado ao jornal The Daily Beast, Tom Sykes. O cargo já seria assumido por ele, caso se tornasse rei, mas diferentemente do trono, não é hereditário. 

“É pouco provável que ela abdique formalmente, mas tem havido evidências nos últimos dois anos de que cada vez mais o trabalho do dia a dia da monarquia está sendo delegado às gerações mais jovens”, lembrou Thompson. A ênfase tem sido principalmente o “núcleo” da rainha – príncipe de Gales e duque e duquesa de Cambridge. Na última semana, o príncipe William, o segundo na linha de sucessão, e sua mulher, Kate Middleton, passaram sete dias em viagem por Índia e Butão. 

A rainha comemorará seus 90 anos reservadamente com a família em Windsor. No segundo sábado de junho, dia 11, será a celebração oficial. A segunda data foi escolhida para que a festa principal ocorra em um ensolarado dia do verão britânico e não seja interrompida por uma costumeira chuva de primavera. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.