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REUTERS/Frederic Sierakowski

Em Bruxelas, Kerry homenageia vítimas e fala em ‘destruir’ o EI

Secretário de Estado dos EUA se reúne com autoridades e diz que dois americanos morreram nos atentados

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Andrei Netto, enviado especial / Bruxelas,
O Estado de S. Paulo

25 Março 2016 | 19h54

BRUXELAS - O secretário de Estado americano, John Kerry, fez nesta sexta-feira, 25, uma visita de quatro horas a Bruxelas, durante a qual ressaltou a urgência no combate ao grupo Estado Islâmico (EI), que reivindicou a autoria dos atentados de terça-feira. Kerry confirmou que há americanos entre os 31 mortos e 316 feridos, prestou homenagem às vítimas, se disse “bruxelense” e se reuniu com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. 

Enquanto as unidades especiais da polícia belga multiplicavam as operações em Bruxelas, Kerry se reunia com mais autoridades. O secretário de Estado encontrou-se com o rei da Bélgica, Philippe, e com o primeiro-ministro do país, Charles Michel, a quem destacou a necessidade de destruir o EI “o mais rapidamente possível”, antes que novos atentados, como os de Paris e Bruxelas, voltem ocorrer. 

“Vim a Bruxelas prestar minhas sinceras condolências. Os atentados ressaltam a necessidade de responder ao extremismo violento e colocar fim ao Daesh”, afirmou via Twitter, usando a sigla em árabe para designar o EI.

Em uma entrevista coletiva conjunta com Michel, Kerry aproveitou para fazer um gesto aos belgas, dizendo-se bruxelense. “Je suis Bruxellois. Ik ben Brussel”, disse em francês e holandês, as duas línguas oficiais da Bélgica.

Segundo Kerry, dois americanos morreram e mais de dez ficaram feridos nos atentados contra o aeroporto de Zaventem e a estação de metrô de Maelbeek. O número elevado de vítimas americanas é consequência de um dos suicidas ter deflagrado seu cinturão de explosivos junto ao balcão de check-in da companhia American Airlines. 

“Não seremos intimidados, não seremos desencorajados”, reiterou o secretário de Estado, lembrando também as vítimas de Paris, Ancara, na Turquia, Tunis, na Tunísia, e San Bernardino, nos EUA, além de outras cidades atingidas por atentados perpetrados em nome do EI. “Vamos voltar com mais determinação, mais força, e não vamos descansar até que tenhamos eliminado seus dogmas niilistas e sua covardia da face da Terra.”

Kerry também afirmou que o EI está enfraquecido, segundo ele, pela ação da coalizão internacional, que é liderada pelos EUA e composta por 66 países. 

“A verdadeira razão pela qual o Daesh está agindo fora do Oriente Médio é porque a fantasia de um califado está desmoronando diante dos seus olhos”, reiterou. “Seu território está diminuindo dia após dia, seus líderes estão sendo dizimados, seus recursos estão desaparecendo e seus combatentes estão fugindo.”

Na coletiva, Michel anunciou que a Bélgica vai retomar as missões de bombardeio com caças F-16 contra posições do grupo extremista na Síria e no Iraque.

Após os encontros, Kerry deixou Bruxelas em direção a Moscou, onde tratará do processo de paz na Síria com o chanceler russo, Sergei Lavrov. 

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