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REUTERS/Alkis Konstantinidis

Em cadeiras de rodas, refugiados enfrentam obstáculos para chegar a países europeus

Desespero uniu migrantes sírio e iraquiano que fugiram de conflito em seus países

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O Estado de S. Paulo

18 Março 2016 | 10h35

GRÉCIA - Hassan Omar, do Iraque, e Radwan Sheikho, da Síria, tiveram de depender da bondade de estranhos para conseguir concluir a perigosa jornada até a Europa em meio ao inverno e fugir dos conflitos em seus países.

A dupla criou uma profunda amizade durante o trajeto, negociando perigosas viagens de barco e finalmente chegando à fronteira da Grécia com a Macedônia - isso em cadeiras de rodas.

"Ás vezes a tragédia e o desespero une as pessoas", disse Omar, de 48 anos, que conheceu Sheikho, de 30 anos, na Ilha de Lesbos, que fica perto da Turquia, mas cuja pequena travessia custou a vida de centenas de migrantes que tentaram realizá-la em pequenos e precários barcos.

Os dois, então, viajaram de ferry até a Grécia e para o norte de trem - Omar com sua filha e Sheikho com sua irmã - na esperança de ter mais chances de conseguir cruzar a fronteira com a Macedônia por serem paraplégicos.

No entanto, eles permanecem presos em um precário acampamento em Idomeni, onde dividem uma pequena barraca, enfrentando dias de chuva, vento e frio, com pouca comida e instalações sanitárias precárias. A filha e a irmã vivem em um barraca perto da deles. 

Pelo menos 10 mil pessoas, a maioria sírios, iraquianos e afegãos, estão em Idomeni, mas há outras 45 mil em portos e campos em toda a Grécia, pois países da chamada rota dos Bálcãs fecharam suas fronteiras ao fluxo de refugiados que tenta chegar à Europa Ocidental.

"Há pessoas com deficiências aqui e a Europa deveria ajudá-los", disse Sheikho, que vivia vendendo cigarros na Síria, pois não recebia nenhum benefício do Estado. "Chegamos aqui e agora não podemos voltar. O que acontecerá conosco?"

Alguns dos obstáculos que eles enfrentam são simples - Omar passou os últimos dias preso na barraca com um pneu de sua cadeira de rodas furado esperando que alguma agência de ajuda humanitária o arrumasse ou substituísse. Mas outros são mais dramáticos. Na segunda-feira, os quatro, juntamente com centenas de outras pessoas, tentaram cruzar ilegalmente para a Macedônia cortando a cerca erguida na fronteira.

Omar e Sheikho dependeram de outros homens para carregá-los nas costas por horas, cruzando rios, lama e escalando montes até chegar à fronteira. "O homem que estava me carregando não desistia", disse Sheikho. "Ele me colocava no chão por uns instantes e me carregava de novo. Ele estava muito cansado, mas prosseguiu."

Mas assim que cruzaram a fronteira o Exército macedônio os cercou sob a mira de fuzis e os obrigou a voltar para a Grécia.

De volta a Idomeni, eles esperam que algum dia a fronteira norte seja aberta novamente. Enquanto Sheikho e sua irmã sonham em encontrar seus parentes e irmãos na Holanda, Omar e sua filha esperam pelo dia em que sua mulher e filha mais velha, que estão no Iraque, juntem-se a eles.

Omar, um ex-alterofilista, disse que fugiu da violência sectária no Iraque depois que seu irmão e sobrinho foram mortos. "Se houvesse como permanecer no Iraque, teríamos ficado. Mas minorias, mulheres e deficientes são os que mais sofrem no Iraque. E eu sou uma das vítimas", disse. 

Dividindo um prato de comida com Sheikho em sua barraca, Omar diz que os dois permanecerão juntos até que seus objetivos os separem, não importa quando. "Nossa amizade tem seus altos e baixos, mas temos o mesmo objetivo, então escolhi ignorar tudo que é negativo e manter o foco no positivo", disse. / REUTERS

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