REUTERS/Gary Cameron
REUTERS/Gary Cameron

Em depoimento sobre Benghazi, Hillary pede que comissão supere diferenças partidárias

Pré-candidata democrata à Casa Branca responderá durante cerca de oito horas perguntas de congressistas sobre o ataquede 2012 contra instalações diplomáticas dos EUA na capital da Líbia

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2015 | 13h36

WASHINGTON - Líder entre os candidatos democratas à Casa Branca, Hillary Clinton fez um apelo à comissão parlamentar que investiga o ataque a instalações diplomáticas dos EUA em Benghazi, Líbia, que supere diferenças partidárias e se atenha aos "fatos" em sua apuração. A ex-secretária de Estado começou a depor às 10h desta quinta-feira, 22, e deve ser questionada por pelo menos oito horas pelos congressistas.

Sua performance é considerada crucial para manutenção do bom momento de sua campanha, iniciado no debate realizado no início do mês e reforçado pelo anúncio do vice-presidente, Joe Biden, de que não disputará a nomeação do partido, na quarta-feria. Pesquisa divulgada pela CNN antes do depoimento mostrou que 72% dos entrevistados acreditam que a investigação iniciada pelos republicanos em maio de 2014 está sendo utilizada para obtenção de vantagens políticas.

Essa percepção foi reforçada por declarações recentes dadas por líderes republicanos. No fim de setembro, o deputado Kevin McCarthy vinculou a atividade da comissão à queda na preferência do eleitorado em relação a pré-candidata democrata. "Todo mundo pensava que Hillary Clinton era imbatível, certo? Mas nós criamos uma comissão especial, uma comissão selecionada sobre Benghazi. Quais são os números dela hoje? Seus números estão caindo. Por quê? Porque ela não é confiável. Mas ninguém saberia disse se nós tivéssemos lutado", declarou.

O ataque a Benghazi ocorreu no dia 11 de setembro de 2012 e provocou a morte de quatro americanos, entre os quais o embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens. Em seu depoimento, Hillary ressaltou que o Congresso já realizou sete investigações sobre o assunto, que também foi analisado pelos setores de inteligência e de segurança do governo.

A comissão foi criada para analisar a atividade da ex-secretária e do governo antes, durante e depois do ataque, na tentativa de definir se houve negligência ou erros de avaliação que contribuíram para a morte dos americanos que estavam na Líbia.

Hillary afirmou que não havia nenhuma informação de serviços de inteligência que indicasse o risco de um ataque às instalações diplomáticas de Benghazi no momento que a Líbia estava mergulhada em um período de extrema turbulência. Segundo ela, a operação no local atendia interesses de segurança nacional dos EUA e respondia à necessidade de ter informações sobre o que ocorria no país. 

A ex-secretária observou que o embaixador Stevens estava ciente dos riscos envolvidos em sua missão na cidade e estava disposto a assumi-los. Questionada sobre a inexistência de e-mails destinados ou enviados por ela sobre um ataque a bomba no local em abril de 2012, Hillary afirmou que não conduzia a maior parte de seu trabalho no Departamento de Estado pela internet. As discussões mais importantes, disse, ocorriam em encontros, por meios de memorandos e conversas telefônicas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.