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Em desespero, imigrantes bloqueiam linha de trem na Grécia

O grupo se deitou nos trilhos no lado grego, impedindo que um trem que tinha acabado de cruzar a Macedônia continuasse a sua jornada para o sul

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O Estado de S. Paulo

03 Março 2016 | 16h08

IDOMENI - Um grupo de imigrantes na cidade de Idomeni, localizada na fronteira da Grécia com a Macedônia, bloqueou uma linha ferroviária nesta quinta-feira, 3, em protesto contra a recusa da Macedônia de deixá-los seguir com a sua rota para a Europa Ocidental.

O grupo se deitou nos trilhos no lado grego, impedindo que um trem que tinha acabado de cruzar a Macedônia continuasse a sua jornada para o sul.

Cerca de 10 mil pessoas estão retidas na fronteira. Autoridades da Macedônia disseram que só vão liberar a entrada das pessoas quando o próximo país que faz parte da rota dos imigrantes, a Sérvia, dizer que irá abrigá-los. 

A polícia grega disse que na madrugada desta quinta-feira, cerca de 500 pessoas foram autorizadas a atravessar. Algumas delas, no entanto, foram recusadas pelas autoridades macedônias, pois não estavam com seus documentos em ordem. No meio da confusão, um homem desmaiou.

Na segunda-feira, centenas de imigrantes que tentavam forçar a cerca na fronteira para protestar contra o fechamento da passagem entre os dois países foram contindos pela polícia, que usou a força e bombas de gás lacrimogêneo contra eles. 

Os imigrantes disseram que a Macedônia não aceitou selos gerados por computador emitidos pela polícia grega e, portanto, eles não poderiam provar que seus documentos de identidade são verdadeiros.

"Eles dizem aqui (na Grécia) que está tudo OK, mas quando chegamos para atravessar a fronteira, eles não aceitam", disse o imigrante Adnan Abdallah, da Síria. 

Diante da pouca esperança que as fronteiras da denominada rota balcânica se abram em breve, a Grécia se prepara para deixar de ser um país de passagem para se tornar um de amparo permanente para os refugiados nos próximos dois ou três anos. 

Em visita hoje à Grécia, o presidente do Conselho da União Europeia (UE), Donald Tusk, e o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmaram que ações unilaterais dos Estados membros do bloco para lidar com a crise migratória estão prejudicando a solidariedade e precisam parar.

"A Grécia vai requerer que todos os países respeitem o Tratado Europeu e haja sanções para aqueles que não o fizerem", afirmou Tsipras, que se reuniu com Tusk antes da cúpula de líderes da UE na próxima semana. "Nós pedimos que parem as ações unilaterais na Europa."

Autoridades da UE disseram à agência Reuters que os europeus, e em particular o governo alemão, estão olhando para a Turquia para reduzir o número de chegadas de imigrantes na Grécia para menos de mil por dia, no máximo, como uma condição inicial para a discussão sobre receber alguns refugiados sírios diretamente da Turquia.

Tsipras disse que a Grécia continuará fazendo o que for possível para garantir que imigrantes ou refugiados não fiquem sem assistência, mas não pode suportar o peso sozinha.

"Nós não vamos permitir que a Grécia ou qualquer outro país se transforme em um armazém de almas", disse Tsipras. "Estamos em um momento crucial para o futuro da Europa."

'Não venham para a Europa'. Tusk, por sua vez, pediu aos migrantes econômicos que não se dirijam à Europa. "Quero lançar um apelo a todos os migrantes econômicos ilegais potenciais, de onde forem. Não venham à Europa. Não acreditem nos traficantes", disse Tusk durante a entrevista coletiva ao lado de Tsipras. "Não coloquem em risco suas vidas e seu dinheiro. Tudo isso não servirá de nada", acrescentou. O presidente do Conselho Europeu irá ainda a Ancara, onde se reunirá com o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu. 

Este chamado ocorre depois que a União Europeia propôs na quarta-feira um pacote de ajuda humanitária de € 700 milhões para os países mais afetados por esta crise, entre eles a Grécia. 

Mais de 130 mil migrantes chegaram à Europa desde janeiro, segundo números do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A maioria dos migrantes passaram pela Grécia depois de cruzar o Mar Mediterrâneo a partir da Turquia. / AP, REUTERS, EFE e AFP 

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