AFP PHOTO / Musa AL SHAER
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Em dia de poucos protestos, palestino ataca israelense a faca em Jerusalém

Após quatro dias de manifestações e confrontos, Exército de Israel anuncia ter destruído túnel em Gaza; na França, premiê Binyamin Netanyahu diz que palestinos precisam ‘admitir a verdade’ sobre capital para processo de paz avançar

Andrei Netto, Enviado Especial / Jerusalém, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2017 | 22h08

JERUSALÉM - Um militante palestino esfaqueou um agente de segurança em um dos pontos mais movimentados de Jerusalém Ocidental neste domingo, 10, em um ataque supostamente em retaliação à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reconhecer a cidade sagrada como capital do Estado de Israel.

EUA defendem que decisão sobre Jerusalém ajudará a avançar no processo de paz

O ato de terror, como classificaram autoridades israelenses, é o primeiro desde que o grupo radical islâmico Hamas exortou os palestinos à uma nova intifada - rebelião contra o governo israelense. A vítima foi internada em estado crítico e o agressor foi preso.

Imagens de uma câmera de segurança mostram o momento em que o palestino retira o casado antes de passar pelo processo de segurança, puxa a faca e ataca o segurança. Segundo Israel, o agressor é morador de uma cidade na Cisjordânia.

O episódio foi o mais violento de ontem, após a diminuição dos protestos que eclodiram na quinta-feira. Pela contagem oficial de Israel e da Autoridade Palestina (AP), quatro pessoas morreram e outras centenas ficaram feridas desde que Trump anunciou que Washington vai transferir a embaixada americana para Jerusalém. Até aqui, os protestos mais intensos aconteceram na Faixa de Gaza, onde o Hamas governa e tem mais influência.

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Ontem em Gaza, o Exército israelense anunciou a destruição de um túnel construído pelo Hamas até o território israelense. Segundo os militares, a passagem seria usada para atos terroristas.

Em um dia de menos tensão nos territórios palestinos, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, reiterou em viagem oficial à França sua visão do status de Jerusalém, agora reconhecido pelos EUA. Em encontro no Palácio do Eliseu com o presidente francês, Emmanuel Macron, o premiê pediu à comunidade internacional que siga o exemplo de Trump, e aos palestinos que admitam “a verdade” para fazer o processo de paz avançar.

“Paris é a capital da França, Jerusalém é a capital de Israel”, argumentou. Segundo Netanyahu, Jerusalém “foi a capital por 3 mil anos, e é a capital do Estado judeu por 70 anos”.

Para o governo francês, entretanto, a capital israelense reconhecida como tal continua a ser Tel-Aviv, ao menos até que o processo de paz resulte na criação do Estado palestino.

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Macron fez uma nova crítica indireta aos EUA ontem ao afirmar que “a situação já é complicada o suficiente sem que seja agravada por influências externas”. O presidente francês pediu ao premiê israelense que congele o processo de colonização nas áreas palestinas e cobrou uma atitude do governo americano, já que Trump prometeu que o processo de paz avançaria. 

“Vamos ver nas semanas e meses que virão o que eles propõem. Eles querem desempenhar o papel de mediador, e cabe às partes dizer se aceitam ou não.” Sem pontos em comum em termos políticos, Netanyahu e Macron concordaram apenas na condenação dos atos de violência, incluindo uma possível intifada ou ataques terroristas.

Internacional

Se em Israel o dia foi de menos confrontos, em Beirute, no Líbano, um protesto em prol da Palestina e contra a decisão de Trump acabou em violência. Armados com pedras, manifestantes enfrentaram a polícia, que havia fechado os acessos à embaixada dos EUA. As tropas de choque revidaram com bombas de gás lacrimogêneo.

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