Lee Jin-man/AP
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Coreia do Norte diz estar aberta ao diálogo com Seul

Em discurso de ano novo, Kim Jong-un diz que avaliará envio de delegação à Olimpíada de Inverno no vizinho, em fevereiro; líder não descarta, porém, o uso de armas nucleares caso seu país seja ameaçado

O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2018 | 00h33
Atualizado 01 Janeiro 2018 | 21h01

SEUL - Kim Jong-un advertiu nesta segunda-feira, 1º, os Estados Unidos de que tem um “botão nuclear” em sua mesa pronto para ser usado caso a Coreia do Norte seja ameaçada, mas ofereceu um caminho para a desescalada da tensão na região ao dizer que está “aberto ao diálogo” com Seul.

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Depois de um ano dominado por uma retórica feroz e o aumento dos atritos sobre o programa de armas nucleares da Coreia do Norte, Kim usou seu discurso televisivo de ano novo para declarar a Coreia do Norte “uma potência nuclear amorosa e responsável” e pedir a redução das tensões militares na península coreana e a melhora dos laços com o Sul.

“Quando se trata de relações Norte-Sul, devemos baixar as tensões militares na península coreana para criar um ambiente pacífico”, disse Kim. “Tanto o Norte como o Sul devem fazer esforços.” O líder analisará o envio de delegação à Olimpíada de Inverno em Pyeongchang, na Coreia do Sul, em fevereiro.

“A participação da Coreia do Norte nos Jogos de Inverno será uma boa oportunidade para mostrar o orgulho nacional e desejamos que os Jogos sejam um sucesso. Autoridades das duas Coreias devem se encontrar com urgência para discutir essa possibilidade”, sugeriu.

A Coreia do Sul disse que recebeu bem a oferta de Kim para enviar uma delegação aos Jogos de Pyeongchang e manter conversas com o Sul para discutir uma possível participação. “Nós sempre afirmamos nossa vontade de conversar com a Coreia do Norte em qualquer momento e em qualquer lugar para ajudar a restaurar as relações e levar a paz na península coreana”, disse um porta-voz do governo sul-coreano.

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País nuclear

“Nós alcançamos o objetivo de completar nossa força nuclear estatal em 2017”, disse o líder do fechado país, enfatizando a necessidade de “produzir em massa ogivas nucleares e mísseis balísticos e acelerar sua implementação”, de acordo com a mensagem transmitida pela TV estatal.

Kim afirmou que a capacidade atômica de seu país exerce um grande poder dissuasivo nos EUA, garantindo que suas armas são capazes de atingir todo território americano, e disse que “sempre há um botão para ativar armas nucleares” no seu escritório. “Isto é uma realidade, não uma ameaça.”

O líder norte-coreano também pediu que Washington e Seul encerrem suas manobras conjuntas, criticadas pelo regime como uma tentativa de invadir seu país.

Essas novas declarações de Kim acontecem depois de um ex-responsável militar americano afirmar que seu país nunca havia estado “tão perto” de uma guerra nuclear com a Coreia do Norte.

A presidência de Trump “é incrivelmente desestabilizadora e claramente imprevisível”, declarou o ex-chefe do Estado-Maior Conjunto Mike Mullen à emissora ABC. “Atualmente se está mais perto do que nunca estivemos de uma guerra nuclear com a Coreia do Norte”, disse Cullen. “E não vejo as oportunidades para resolver isso de maneira diplomática”, acrescentou. Mullen foi o chefe de Estado-Maior dos presidentes George W. Bush e Barack Obama.

A Coreia do Norte intensificou seus testes com armas em 2017 com o lançamento de 20 mísseis, 3 deles intercontinentais, e a realização de seu sexto e mais potente teste nuclear, em setembro. Em razão desses repetidos testes, o país recebeu um número recorde de sanções da ONU em um ano - quatro -, mas mesmo assim Pyongyang segue apostando em seu desenvolvimento de armas, por meio do qual busca um equilíbrio de forças com os EUA.

Muitos especialistas opinam que Washington deve dialogar com Pyongyang. Mas a Coreia do Norte quer que os EUA a reconheçam como um Estado nuclear. Washington sempre afirmou, por sua vez, que não aceitaria uma Coreia do Norte com arma nuclear e Pyongyang deveria tomar medidas concretas de desnuclearização antes de qualquer negociação. / REUTERS, EFE e AFP

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