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Em Israel, Biden condena violência de radicais palestinos

- Atualizado: 09 Março 2016 | 19h 27

Em visita a Israel, vice-presidente americano afirma que caminho para solução de dois Estados precisa voltar a ser negociada 

JERUSALÉM - Em crítica com tom mais duro que o usual, o vice-presidente americano, Joe Biden, disse ontem que os Estados Unidos não apenas deploram a recente onda de ataques de palestinos contra Israel, como também “condenam o fato de esses atos não terem sido condenados” amplamente. 

O vice-presidente deu as declarações enquanto estava com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, um dia depois de um palestino apunhalar e matar um universitário americano e ferir vários outros turistas e israelenses, não muito longe do local onde Biden se encontrava com o ex-presidente israelense, Shimon Peres, na terça-feira.

Vice-presidente americano, Joe Biden, se reúne em Israel com o premiê Binyamin Netanyahu 

Vice-presidente americano, Joe Biden, se reúne em Israel com o premiê Binyamin Netanyahu 

“Esse não pode se tornar um procedimento aceitável”, afirmou. “Não pode ser visto por líderes civilizados como um comportamento adequado”. Ainda ontem, Biden reuniu-se com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, em Ramallah, na Cisjordânia.

A visita de dois dias do vice-presidente americano a Israel e aos territórios palestinos ocorreu num ambiente de fortes tensões entre o governo de Netanyahu e a Casa Branca. Uma reunião entre Netanyahu e o presidente Barack Obama foi cancelada por divergências a respeito de um novo pacote de ajuda militar americana a Israel.

Mas as divergências foram rapidamente ofuscadas por um surto repentino de violência palestina, como o ataque que feriu várias pessoas e matou o cidadão americano Taylor Force, de 28 anos, logo depois da chegada de Bidena ao país.

O crime ocorreu no sul de Tel-Aviv, não muito longe de um restaurante onde a esposa de Biden, sua nora e dois netos estavam almoçando. “Isso mostra o que pode ocorrer a qualquer hora em qualquer lugar”, comentou Biden. Netanyahu elogiou “a forte condenação do terrorismo”.

“Nada justifica tais ataques” acrescentou Netanyahu. “Mas infelizmente o presidente Abbas não só se recusou a condenar estes ataques terroristas, como seu Partido Fatah na realidade elogiou o assassino do cidadão americano como mártir e herói palestino”.

Independentemente das condenações, o surto de violência e de mortes também ressalta a grande distância existente entre o governo de Netanyahu e o de Obama na questão do impasse no processo de paz com os palestinos. E provavelmente intensificará os temores israelenses quanto a uma possível pressão de Obama para que seja preparado o esboço de um acordo sobre a criação de um Estado palestino com Israel, nos últimos meses do seu mandato.

“A situação terá de se definir em algum momento, em termos de uma solução de dois Estados”, disse Biden na coletiva conjunta. “Embora seja talvez difícil ver o caminho à nossa frente, continuamos encorajando todas as partes a adotar medidas na trilha da paz.”

Netanyahu deixou claro que não acha este o momento mais adequado para fazer avanços rumo a um Estado palestino.

A série de ataques continuou ontem. Segundo a polícia, dois palestinos armados num carro fizeram disparos num bairro de Jerusalém, depois dirigiram-se para uma avenida movimentada fora da Cidade Velha, onde a polícia israelense os matou. / NYT

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