AFP PHOTO / MENAHEM KAHANA
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Em meio a protestos em Gaza, EUA inauguram embaixada em Jerusalém

Em mensagem de vídeo, Trump disse que Washington continua 'plenamente' comprometido com a busca de um acordo de paz entre israelenses e palestinos; para Netanyahu, presidente americano 'fez história'

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2018 | 10h28
Atualizado 14 Maio 2018 | 15h56

WASHINGTON - Os EUA inauguraram oficialmente nesta segunda-feira, 14, sua embaixada em Israel na cidade de Jerusalém, em um dia marcado por protestos violentos na Faixa de Gaza. A cerimônia começou com o hino nacional americano e contou com a presença de centenas de autoridades americanas e israelenses. Redes de TV dos EUA dividiram suas telas com imagens da cerimônia e dos enfrentamentos, evidenciando o contraste da realidade vivida por israelenses e palestinos.

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Forças israelenses mataram ao menos 52 palestinos e deixaram cerca de 1,7 mil feridos em Gaza, durante protestos contra a abertura da embaixada dos EUA em Jerusalém. O número de mortos é o maior desde o conflito de seis semanas entre os dois lados que provocou a morte de pelo menos 2.125 palestinos em 2014, a maioria dos quais civis. O outro lado registrou baixas de 66 soldados e cinco civis.

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Em mensagem divulgada durante a inauguração, o presidente americano, Donald Trump, garantiu que os EUA continuam "plenamente" comprometidos com a busca de um acordo de paz duradouro entre israelenses e palestinos. "Nossa maior esperança é a da paz. Os EUA continuam plenamente comprometidos com facilitar um acordo de paz duradouro", declarou ele em uma mensagem de vídeo aos participantes da cerimônia.

"Em nome do 45.º presidente dos EUA, saudamos oficialmente, pela primeira vez, a embaixada dos Estados Unidos, aqui em Jerusalém, a capital de Israel", declarou a filha de Trump, Ivanka, ao descobrir a placa que identifica a representação diplomática.

O reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel foi um dos mais controvertidos anúncios de Trump, que ficou isolado na decisão de transferir a embaixada do país à cidade, também reivindicada como capital pelos palestinos. Apesar disso, Guatemala e Paraguai adotaram a mesma posição.

Em discurso na cerimônia de inauguração da representação diplomática, o genro de Trump e marido de Ivanka, Jared Kushner, responsabilizou os palestinos pelos choques. "Como vimos nos protestos dos últimos dias e de hoje, os que provocam violência são parte do problema, não da solução", afirmou.

Kushner disse ainda que a abertura da embaixada será vista no futuro como o início do processo que supostamente levará paz à região. Mas muitos analistas acreditam que a decisão inviabilizou de maneira definitiva qualquer negociação entre israelenses e palestinos que seja mediada pelos EUA. O marido de Ivanka foi escolhido pelo presidente americano para comandar esse processo e deverá divulgar sua primeira proposta sobre o assunto nas próximas semanas.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, agradeceu Trump por "fazer história" ao transferir a embaixada para Jerusalém. "Este é um momento histórico. Presidente Trump, ao reconhecer o que pertence à história, você fez história", disse o premiê durante o evento.

"Jerusalém é a capital eterna e indivisível de Israel", declarou Netanyahu, que obteve uma importante vitória política no momento em que é investigado por suspeita de corrupção. "Nós estamos em Jerusalém e estamos aqui para ficar."

Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como sua capital. Anexada por Israel em 1967, a região é considerada pela comunidade internacional um território ocupado. O premiê também elogiou os soldados israelenses e ressaltou que eles estavam defendendo as fronteiras do país enquanto ele falava - uma menção indireta aos protestos em Gaza.

Em Washington, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, reafirmou o compromisso de seu país com uma "paz global e duradoura entre Israel e palestinos". "Hoje estou orgulhoso de celebrar a abertura da embaixada americana em Israel", disse ele, sem mencionar os confrontos na fronteira.

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Horas antes da cerimônia, milhares de palestinos protestaram na divisão do território com Israel. Impedidos de cruzar a barreira que separa os dois lados, eles colocaram fogo em pneus e lançaram pedras e bombas incendiárias na direção dos soldados, que responderam com disparos contra os manifestantes.

Os americanos sustentam que as fronteiras de Jerusalém ainda estão sujeitas a negociação no âmbito do processo de paz. Os palestinos decidiram se retirar das conversas em dezembro, quando Trump anunciou a mudança da embaixada.

Com a decisão, o presidente dos EUA cumpriu uma de suas promessas de campanha, que agrada principalmente à sua base evangélica branca. O grupo votou em peso em Trump e vê no reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel o cumprimento de uma profecia bíblica. / com REUTERS, AFP e EFE

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