REUTERS/Rick Wilking
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Em novo livro, Hillary fala de sua 'repulsa visceral' por Trump

Democrata comenta o seu fracasso na campanha presidencial e os motivos que, acredita, a levaram a perder, principalmente pela suposta interferência russa

O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2017 | 15h40

WASHINGTON - Em um novo livro que será lançado no próximo mês, a democrata Hillary Clinton não oculta seu desprezo pelo republicano Donald Trump, homem que a derrotou nas eleições presidenciais de 2016. Seu fracasso na disputa é o tema da publicação. 

Intitulado What Happened, o livro sairá à venda no dia 12 de setembro, nos Estados Unidos. As primeiras páginas, de dois trechos curtos, foram reveladas nesta quarta-feira, 23, pela rede MSNBC e confirmam a vontade da ex-candidata democrata de atacar seu ex-adversário por seu machismo e conduta indigna.

No livro, ela relata um famoso episódio da campanha que transcorreu diante de 66 milhões de telespectadores em Saint Louis (Missouri), em outubro de 2016, durante o segundo debate entre os candidatos

Os dois se encontravam em um palco para responder as perguntas. Quando Hillary tomou da palavra, Trump se aproximou e ficou por trás da democrata enquanto ela falava.

"Estávamos em um palco pequeno e não importa para onde eu caminhasse, ele me seguia de perto, me encarando, fazendo caretas. Era incrivelmente desconfortável", escreve Clinton no livro What Happened. "Minha pele se arrepiou", admitiu, descrevendo a situação.

"Bem, o que você faria? Ficaria calma, continuaria sorrindo e prosseguiria como se ele não estivesse, repetidamente, invadindo seu espaço? Ou você viraria, observaria ele nos olhos e afirmaria de maneira alta e clara: "Saia daqui, seu asqueroso, saia de perto de mim. Eu sei que você adora intimidar as mulheres, mas você não vai me intimidar, então pode sair", escreveu, utilizando a palavra inglesa "creep" (asqueroso), que os americanos usam para homens que assedim as mulheres na rua.

"Escolhi a primeira opção. Conservei o sangue frio, como fiz toda minha vida com os homens difíceis que tentaram me incomodar. Mas apertei mais forte o microfone. Questionei, no entanto, se não deveria ter escolhido a segunda opção. Teria criado um momento memorável na televisão. Talvez tenha me contido demais. A escolha consistia em manter a calma, em apertar os punhos, sorrir, decidida a mostrar um rosto impassível ao mundo".

Hillary admite que escrever o livro não foi fácil. Ela comenta o seu fracasso na campanha presidencial e os motivos que, acredita, a levaram a perder, principalmente pela suposta interferência russa.

RUSSOS. O livro, anunciado em fevereiro pela editora Simon and Schuster, foi apresentado inicialmente como uma série de relatos sobre os episódios de sua vida, mas o tema mudou aparentemente no curso de sua redação para concentrar apenas na campanha.

Em maio, Hillary admitiu estar afetada pela derrota e atônita ante as imagens do maganata no Salão Oval da Casa Branca. "Assumo totalmente minha responsabilidade. A candidata era eu", declarou na ocasião.

Ela reconhece que decepcionou milhões de americanos. "Não consegui completar o trabalho. E terei de viver com isso pelo resto da minha vida".

Mas desde a derrota, a democrata se absteve de identificar com precisão os erros que cometeu. Preferiu apontar a campanha de desinformação e pirataria atribuídas à Rússia.

Segundo ela e muitos de seus assessores, as mensagens internas publicadas pelo site WikiLeaks e a reabertura do FBI da investigação sobre seus e-mails inclinaram, em parte, os indeciso a favor de Trump.

Em junho, ela chegou a insinuar que os russos coordenaram sua interferência com o magnata. / AFP 

 

 

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