Jonathan Ernst/REUTERS
Jonathan Ernst/REUTERS

Em viagem à Ásia, Donald Trump liga comércio a segurança do Japão

Presidente americano negocia bilhões de dólares em armamentos com o Japão para o país se defender da Coreia do Norte

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2017 | 21h46

Em visita ao Japão, o presidente americano, Donald Trump, disse que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, concordou em comprar “uma grande quantidade de equipamento militar”. Trump argumentara que o Japão poderia se proteger de uma Coreia do Norte nuclear se comprasse bilhões em dólares em armamento americano, “o melhor do mundo”, segundo o líder americano.  

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Com essa venda, Trump iniciou sua complexa e politicamente desafiadora viagem pela Ásia fazendo uma ligação explícita entre comércio e segurança. O presidente americano condenou o que ele chamou de crônico déficit comercial com o Japão e criticou o país por não ter derrubado o míssil que a Coreia do Norte lançou recentemente sobre o território japonês.

Segundo a Constituição pacifista do Japão, o país só pode derrubar um míssil se ele representar uma ameaça. Nas eleições do dia 22, os partidos que defendem uma revisão da Constituição pós-guerra do Japão conquistaram quase 80% das cadeiras do Parlamento, abrindo o caminho para que Abe leve adiante sua proposta de reformar a Carta até 2020. 

A viagem de Trump a cinco países da Ásia, definida pela Casa Branca como “uma missão de boa vontade” e pelo Departamento de Estado como uma “agenda de reafirmação dos compromissos com os aliados regionais”, está cercada por um impressionante aparato militar. Ontem, na ação mais recente, 250 fuzileiros e times de forças especiais, prontos para choque, foram mobilizados pelo Comando do Pacífico. Formalmente, apenas para cumprir um dia na rotina dos ensaios de deslocamento rápido de tropas.

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Há cinco dias chegou à base da Marinha americana da Ilha de Guam, o Grupo de Ataque 12, liderado pelo super porta-aviões nuclear Theodore Roosevelt, de 100 mil toneladas, 85 aeronaves, 1 submarino atômico, mais cruzadores e destróieres lançadores de mísseis. Nas próximas horas, em outros pontos do Pacífico, entram na área mais duas forças iguais, dos porta-aviões Nimitz e Ronald Reagan.

É um encontro raro. Em combate real a última vez foi há cerca de 20 anos. Em exercício, aconteceu em agosto de 2007. A princípio, os três não deveriam fazer instruções de ações conjuntas mas, ontem, o comando da 7.ª Frota, em Yokosuka, no Japão, admitiu haver um ensaio rápido em planejamento. A bordo dos navios estão mais de 20 mil tripulantes – marinheiros, aviadores, artilheiros, técnicos, fuzileiros. Os 80 mil combatentes americanos mantidos na Coreia do Sul e no Japão entraram ontem em regime de alerta intermediário. Na prática, significa que devem permanecer a no máximo 30 minutos de distância de seus postos.

No dia 22 e de novo uma semana depois, o Pentágono despachou para a Península Coreana, em uma operação cheia de segredos, um, talvez dois, B-2A Spirit, bombardeiros de penetração furtiva em território hostil, invisíveis aos radares. São os aviões mais caros da história – foram fabricados apenas 21 deles, e cada um saiu por US$ 1 bilhão.

Se acrescentados o investimento da pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, o preço dobra, vai para a casa dos US$ 2 bilhões. Em 1997 o fabricante Northrop Corporation informava o valor unitário de US$ 737 milhões. O orçamento recebeu aditivos até o encerramento da produção, em 2000. O B-2A tem desenho agressivo, é uma asa voadora com o perfil recortado, de forma a desviar as ondas dos radares. Recentemente, a frota recebeu a aplicação de uma película dispersora dos sinais dos novos sensores de detecção por laser. 

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