RODRIGO CAVALHEIRO/ESTADÃO
RODRIGO CAVALHEIRO/ESTADÃO

Embaixador Rubens Barbosa inaugura Instituto de Relações Internacionais em SP

Em evento, diploamta ressaltou a importância de 'uma nova agenda' no País em temas de relações internacionais. 'Precisamos repensar nossas posições (brasileiras) nessas áreas', disse

Fernanda Simas, O Estado de S. Paulo

05 Abril 2016 | 20h43

O Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), criado pelo ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa, foi inaugurado nesta-feira, 5, em São Paulo, com seminários sobre política externa brasileira, mudanças climáticas e fontes de energia.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), abriu o primeiro painel da jornada de eventos, sobre a diplomacia do Brasil em relação a Argentina, Estados Unidos e China. Abordagem especial foi dada ao novo governo argentino, com a chegada de Mauricio Macri à presidência. 

“A recuperação da Argentina requer uma recuperação do Brasil e essa é uma preocupação expressa pelo governo Macri”, disse o professor do Centro de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas, Oliver Stuenkel. O presidente argentino falou sobre essa questão a Barack Obama, durante a visita do líder americano à Argentina. 

Ainda sobre esse tema, o presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros, José Augusto de Castro, afirmou que, com a mudança, “o mundo busca na Argentina um novo parceiro” e é o momento de o Brasil “tornar-se um padrinho econômico” do vizinho.

Parcerias. Castro também abordou a estratégia brasileira dos últimos anos de dar prioridade às relações Sul-Sul e a considerou um “erro de política externa” por ter deixado as relações comerciais com EUA e Europa em segundo plano.

O ingresso da Venezuela no Mercosul, em 2013, por exemplo, foi justificado por Castro como “uma questão puramente ideológica e política, o que dificultou o comércio no bloco”. 

A crise política e econômica na Venezuela também foi abordada durante o painel. “É a maior crise humana da América do Sul hoje”, disse Stuenkel, contando as impressões que teve ao visitar Caracas. 

Outros dois painéis tiveram como temas as mudanças climáticas e a evolução da posição do Brasil e a geopolítica das fontes não renováveis de energia. Neste último, Adriano Pires, representante do Centro Brasileiro de Infraestrutura, afirmou que há uma mudança de posição da Arábia Saudita de reduzir a produção petroleira em momentos de crise. 

“A Arábia Saudita não diminuirá a produção de petróleo se Iraque e Irã não fizerem o mesmo”, afirmou. Para Pires, é essencial que o Brasil invista em energias renováveis e não na energia que possa vir da exploração do pré-sal. 

No encerramento do evento, o embaixador Barbosa ressaltou a importância de “uma nova agenda” no País em temas de relações internacionais. “Precisamos repensar nossas posições (brasileiras) nessas áreas. É preciso uma agenda nova também nessas áreas e não apenas em política e economia.”

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