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Embargo terá fim, mas não já, diz Obama

Líder se dispõe a abrir brechas em sanção, cujo fim definitivo depende do Congresso

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Cláudia Trevisan ENVIADA ESPECIAL / HAVANA,
O Estado de S. Paulo

22 Março 2016 | 05h00

Na primeira visita de um presidente americano a Cuba em 88 anos, Barack Obama afirmou ontem que o embargo econômico imposto por seu país à ilha chegará ao fim. A grande questão é quando isso ocorrerá. Segundo ele, a velocidade dependerá em parte do grau de abertura de Cuba a investimentos dos EUA e de mudanças na direção de maior liberdade política na ilha.

“O que nós fizemos nos últimos 50 anos não serviu aos nossos interesses nem os interesses do povo cubano”, declarou Obama no Palácio da Revolução ao lado do presidente Rául Castro, que havia defendido o fim do embargo americano momentos antes. As sanções foram impostas em 1962 e agravadas nos anos 90.

Desde que os dois países anunciaram o restabelecimento de relações diplomáticas, há 15 meses, o presidente americano usou decretos para suspender vários aspectos do embargo, ao qual os cubanos se referem como “bloqueio”. Entre as medidas, estão a permissão para empresas dos EUA investirem na ilha em determinadas áreas, a ampliação de viagens, a eliminação ao teto de remessas de cubano-americanos e o fim de punição ao uso de dólar em operações realizadas entre Cuba e terceiros países. 

Ontem, Obama disse que está prestes a esgotar as possibilidades de abrir exceções ao embargo por medidas administrativas. As restrições restantes dependem de uma decisão do Congresso. Segundo ele, muitos parlamentares dos partidos Democrata e Republicano apoiam a eliminação das sanções, o que teria ficado evidente na presença de 40 congressistas em sua delegação a Cuba. O presidente disse que esse foi o maior grupo que o acompanhou em viagens internacionais desde o início de seu governo, em 2009.

Mas ele ressaltou que o levantamento do embargo será acelerado se empresários americanos passarem a ter interesses econômicos em Cuba.  “Ao mesmo tempo em que eu continuo a exaltar o Congresso a levantar o embargo, eu discuti com o presidente Castro os passos que nós gostaríamos que Cuba tomasse par mostrar que está pronta a fazer negócios, o que inclui a permissão de mais joint ventures e a autorização par companhias estrangeiras contratarem cubanos diretamente”, declarou Obama. Empresas estrangeiras só podem contratar trabalhadores na ilha por intermédio do Estado cubano, que paga os salários depois de reter parte de seu valor. 

O presidente americano lembrou que uma das exceções abertas por seu governo ao embargo é a permissão par que empresas americanas de telecomunicações invistam em Cuba par expansão do acesso à internet. Mas até agora o governo cubano deu passos tímidos para permitir a operação dessas companhias no país. “Sob o presidente Castro, Cuba estabeleceu o objetivo de conectar os cubanos, e nós queremos ajudar”, disse Obama.

A outra área que pode acelerar o fim do embargo é a dos direitos humanos, afirmou o presidente americano. Mas ele ressaltou mudanças nesse terreno devem vir de dentro de Cuba e que as diferenças não podem impedir o engajamento entre os países. “Eu tenho enormes discordâncias com os chineses em relação aos direitos humanos. Eu vou ao Vietnã neste ano e eu tenho profundas discordâncias com eles também. Quando eu visitei Burma (Myanmar), as pessoas questionaram se que deveria ir por causa do que nós víamos como violações de direitos humanos”, disse Obama, referindo-se a países com os quais os EUA têm relacionamento “normal”.

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