AFP PHOTO / HECTOR RETAMAL
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Empresa de fachada de advogado de Trump recebeu US$ 4,4 milhões

Michael Cohen recebeu dinheiro de empresas que buscavam informações privilegiadas sobre as políticas do presidente

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2018 | 19h45

WASHINGTON - Michael Cohen, advogado do presidente americano, Donald Trump, montou uma empresa de fachada, a Essential Consulting, em outubro de 2016. Aparentemente, o objetivo era pagar US$ 130 mil para silenciar a atriz pornô Stormy Daniels, que alegava ter tido um caso com Trump. No entanto, desde então, US$ 4,4 milhões passaram pelas contas da empresa em dois bancos: First Republic Bank e City National Bank. 

As informações, reveladas nesta terça-feira, 9, pelo New York Times, confirmam a versão do advogado da atriz, Michael Avenatti. As transações incluem pagamentos da AT&T, gigante americana das telecomunicações, da Novartis, grupo farmacêutico suíço, e da Korea Aerospace, da Coreia do Sul – todas as empresas envolvidas em contratos com o governo Trump. 

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A Novartis reconheceu que pagou um total de US$ 1,2 milhão à Essential Consultants – US$ 100 mil em 12 meses, de março de 2017 até fevereiro. Em troca, a empresa queria conselhos de Cohen sobre como Trump lidaria com a reforma do sistema de saúde. 

A AT&T também admitiu que pagou US$ 600 mil para a empresa de Cohen em 2017. A empresa buscava informações privilegiadas sobre regulações antitruste, novas regras do setor de telefonia e questões tributárias, de acordo com um memorando interno da própria companhia. 

A empresa aeroespacial sul-coreana disse ter feito um pagamento de US$ 150 mil a Cohen, em novembro de 2017, por uma “consultoria legal” sobre transações contábeis nos EUA. Das três empresas citadas, a Novartis já confirmou que foi contatada pela equipe de investigadores do procurador especial Robert Mueller, que investiga a interferência russa na eleição americana de 2016. Por meio de um porta-voz, a empresa suíça disse que entregou todas as informações requisitadas. 

Rússia. Entre todos os pagamentos feitos à Essential Consulting, no entanto, o que mais chamou a atenção foram os US$ 500 mil da Columbus Nova, uma firma de investimentos imobiliários de Nova York que pertence ao oligarca russo Viktor Vekselberg, muito próximo do presidente Vladimir Putin e um dos nomes que está na lista de sancionados pelo Departamento do Tesouro dos EUA. Vekselberg também já teria sido interrogado por Mueller.

Segundo o New York Times, não está claro ainda se alguma dessas transações foram ilegais ou impróprias, mas os registros financeiros indicam que são suspeitas e, no mínimo, inconsistentes com o propósito e objeto social da Essential Consultants. 

Além de Mueller, procuradores federais de Nova York já estariam investigando o advogado de Trump por fraude bancária e violações da lei eleitoral americana. Hoje, em entrevista à CNN, Avenatti insinuou que existe a possibilidade de parte do dinheiro ter ido parar em contas do presidente americano. / AP 

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