Equador declara estado de emergência em áreas de protesto

O governo do Equador declarou estado de emergência em algumas províncias paralisadas por um protesto de organizações indígenas, que se opõem a um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. O ministro de Interior, Felipe Vega, anunciou em entrevista coletiva que o estado de emergência "limita uma série de garantias constitucionais". Vega também disse que será o chefe da Tarefa Conjunta das Forças Armadas criada para assumir o controle da situação. A medida será aplicada nas províncias de Tungurahua, Imbabura, Chimborazo, Cotopaxi e Cañar, assim como em algumas regiões de Pichincha (Tabacundo e Cayambe), cuja capital é Quito. "O objetivo da medida é garantir o livre trânsito de pessoas pelo território nacional, como estabelece a Constituição", acrescentou o ministro. Vega indicou que a medida foi adotada pelo presidente da República, Alfredo Palacio, após o esgotamento de todas as alternativas para persuadir os indígenas a suspenderem o protesto. O ministro acrescentou que o decreto "proíbe uma série de atividades, como reuniões públicas", entre outros direitos civis, e que a Tarefa Conjunta das Forças Armadas será a responsável pela "tomada de decisões para abrir as vias, devolver a tranqüilidade, a paz e evitar confrontos". Vega informou que nenhum dirigente indígena teve prisão decretada. Ressaltou também que é necessário "um país em paz para trabalhar". Rejeitou, além disso, a pressão exercida pela poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie), e lembrou que o tratado de livre comércio com os Estados Unidos é um processo de negociação ainda não concluído. Vega disse que, até o momento, o governo foi "razoável e tolerante", mas que decidiu declarar o estado de exceção após uma reunião com os dirigentes do sindicato dos caminhoneiros, que tinham solicitado garantias para transportar mercadorias pelo território nacional. Os indígenas asseguraram que não suspenderão seu protesto até que o governo abandone as negociações do tratado de livre comércio, pois consideram que esse tipo de convênio prejudica as nações pobres, como o Equador, e beneficia exclusivamente as ricas como os EUA.

Agencia Estado,

22 Março 2006 | 02h59

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