Equipamento próprio para armas nucleares sumiu no Iraque

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) - órgão da ONU - expressou sua preocupação de que a guerra liderada pelos EUA para desarmar o Iraque pode ter contribuído para uma significativa proliferação nuclear. Na noite de segunda-feira, um relatório da entidade informou que aparentemente nem o governo interino iraquiano nem os EUA notaram o desaparecimento de equipamentos de precisão que poderiam ser usados na fabricação de armas nucleares e eram monitorados pelos inspetores da ONU antes da invasão do Iraque, em março de 2003. Eles deixaram o país pouco antes do ataque. A maior parte teria sido saqueada nos dias de caos que se sucederam à derrubada do governo de Saddam Hussein. A agência teme que o material tenha ido parar no mercado negro e caia em mãos de terroristas que poderia usá-los em armas. No próprio Iraque não foram encontradas armas nucleares, conforme constou a equipe de busca dos próprios EUA. Somente em junho de 2003 e em agosto passado equipes da AIEA tiveram autorização para vistoriar a principal instalação nuclear, em Tuwaitha, ao sul de Bagdá, quando constataram o sumiço dos equipamentos. Hoje, depois da divulgação do relatório, o governo do Iraque convidou a AIEA a enviar novamente os inspetores ao país e garantiu que as instalações do antigo programa nuclear estão sob forte vigilância e nada mais sumiu depois dos saques. Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Rashad Omar, nenhum edifício foi desmantelado em Tuwaitha, mas alguns estão passando por reformas para abrigar um parque de ciência. Em Londres, o chanceler britânico, Jack Straw, informou o Parlamento que o serviço de inteligência retirou oficialmente a acusação de que o governo de Saddam Hussein poderia lançar mísseis com armas de destruição em massa, num prazo de 45 minutos depois de dar a ordem. Mas ele insistiu que as sanções da ONU não estavam funcionando e que era arriscado demais não agir contra Saddam.

Agencia Estado,

12 Outubro 2004 | 18h41

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