Yasin Bulbul/AFP
Yasin Bulbul/AFP

Erdogan: decisão de Trump 'causou incêndio que queimará o mundo'

Líder turco criticou posicionamento do presidente norte-americano sobre Jerusalém e reforçou apoio aos palestinos em discurso na Organização de Cooperação Islâmica

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 08h57

ISTAMBUL - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta quarta-feira, 13, o reconhecimento de Jerusalém Oriental como "capital da Palestina", em reação ao reconhecimento por parte do governo dos Estados Unidos da Cidade Santa como capital de Israel. Ele chegou a afirmar que o posicionamento causou um incêndio que "queimará a região e o mundo". 

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"Convido os países que defendem o Direito Internacional e a justiça a reconhecerem Jerusalém ocupada como capital da Palestina", afirmou o chefe de Estado durante a abertura de uma reunião extraordinária da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) em Istambul. O evento recebe representantes de 48 países de maioria muçulmana e busca chegar a um acordo conjunto sobre como lidar com o novo conflito motivado pela decisão de Trump. 

Em tom mais pesado, Erdogan ainda afirmou que a decisão do presidente dos EUA causou um "incêndio que queimará a região e o mundo'. "Israel é um Estado de ocupação. Além disso, é um Estado terrorista". Erdogan garantiu que "nunca renunciará" a exigir "uma Palestina soberana e independente".  

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Contexto. O anúncio de Trump em 6 de dezembro provocou uma condenação quase unânime no mundo, assim como manifestações de ódio em muitos países do Oriente Médio. A ONU não reconhece a anexação de Jerusalém Ocidental, que considera um território ocupado e declarou a lei israelense de 1980 uma violação da lei internacional. 

Para a ONU e para grande parte da comunidade internacional, o status de Jerusalém tem que ser negociado entre as duas partes. A visão internacional mais difundida é a de Jerusalém como capital de Israel e de um Estado palestino independente. 

+ Contexto e possíveis consequências de Jerusalém como capital de Israel

Presidente em exercício da OCI, Erdogan espera unificar o mundo muçulmano contra a decisão americana. A tarefa não é fácil, já que a região se encontra profundamente dividida. Além disso, vários países - como a Arábia Saudita - buscam cultivar boas relações com o governo Trump, tendo como pano de fundo a hostilidade em relação ao Irã. / EFE e AFP

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