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Erdogan promete desistir de se unir à UE

Após vitória em referendo constitucional, presidente quer retomar pena de morte

O Estado de S.Paulo

17 Abril 2017 | 18h50

ANCARA - Impulsionado pela vitória no referendo de reforma constitucional que ampliou seus poderes no domingo, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, reiterou nesta segunda-feira, 17, sua promessa de submeter à consulta popular o prosseguimento das negociações para entrar na União Europeia (UE) e da adoção da pena de morte no país.

Em discurso a seus partidários em Ancara, ainda em tom de campanha, Erdogan criticou países europeus como Holanda e Alemanha que impediram atos eleitorais de ministros turcos e manifestações de imigrantes turcos a favor da reforma.

“Esses países, que atacaram nossos cidadãos com cavalos e cães, agora falam em congelar nossas relações com a Europa. Que o façam! Que tomem essa decisão e nos avisem”, disse. “Vamos sentar-nos e fazer um referendo sobre isso. O Reino Unido fez isso. Ou cumprem as promessas que fizeram ou também vamos sair.”

Um dia depois da votação, cujo resultado apertado ilustra a polarização da sociedade turca, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, convocou Erdogan para um “diálogo respeitoso” após uma “campanha eleitoral dura” que dividiu profundamente a Turquia.

O presidente reiterou sua acusação de que a Europa apoia organizações terroristas, em aparente alusão às milícias curdas da Síria, e acrescentou que a Turquia, aconteça o que acontecer, não permitirá um espaço de terrorismo próximo a suas fronteiras.

Erdogan também repetiu sua promessa de fazer uma consulta popular sobre a reintrodução da pena de morte no país, abolida em 2004, se esta não for aprovada diretamente no Parlamento. “Se for aprovado no Parlamento, eu assino. Se não, faremos um referendo. Não temos o poder de perdoar os assassinos de nossos mártires”, acrescentou o presidente, em aparente alusão às vítimas do fracassado golpe de Estado de julho.

O presidente também prometeu que “as coisas serão melhores” depois da entrada em vigor da reforma constitucional. Mais tarde, dirigiu-se ao palácio presidencial com sua comitiva, em meio aos aplausos de seguidores em Ancara.

Erdogan não respondeu às acusações dos dois principais partidos da oposição, que denunciaram irregularidades durante o referendo, no qual foi alcançado 51,4%, segundo resultados provisórios divulgados pelos meios de comunicação.

Erdogan não obteve a vitória contundente que buscava, mas quando os principais pontos da reforma entrarem em vigor, após as eleições de 2019, terá todo o Poder Executivo em suas mãos, com a possibilidade de governar por decreto, e forte influência sobre os poderes Judiciário e Legislativo.

Uma missão conjunta de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa e do Conselho da Europa criticou duramente a campanha pelo referendo ao considerar que não foi igualitária.

Mais de 2 mil pessoas saíram ontem à noite às ruas de Istambul para contestar o resultado do referendo. Os partidos de oposição criticaram a decisão do Alto Conselho Eleitoral de aceitar como válidas as cédulas não apresentavam o selo oficial, algo que, segundo eles, possibilitou a fraude. / EFE e REUTERS

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