1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Erdogan visita Washington em meio a tensões entre Turquia e EUA

- Atualizado: 29 Março 2016 | 17h 20

Nenhuma reunião bilateral está prevista com o presidente Barack Obama nesta segunda viagem de Erdogan aos Estados Unidos desde que foi eleito presidente turco, em agosto de 2014

ANCARA - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, chega a Washington nesta semana em um contexto de crescentes tensões entre os dois aliados, tanto sobre o conflito sírio quanto em temas como os direitos humanos.

Nenhuma reunião bilateral está prevista com o presidente Barack Obama nesta segunda viagem de Erdogan aos Estados Unidos desde que foi eleito presidente turco, em agosto de 2014, o que ilustra o distanciamento entre os dois países, aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, concede entrevista no aeroporto de Istambul antes de embarcar para os EUA  

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, concede entrevista no aeroporto de Istambul antes de embarcar para os EUA  

A Casa Branca informou nesta terça-feira, 29, que ele terá um encontro bilateral oficial com o vice-presidente, Joe Biden, na quinta-feira. Mas com Obama ele deverá se encontrar apenas informalmente entre uma reunião e outra da cúpula sobre segurança nuclear, motivo pelo qual ele visita o país. 

Erdogan também deverá inaugurar uma grande mesquita de estilo otomano no Estado de Maryland, vizinho de Washington, o que ilustra a vontade turca de divulgar sua influência cultural para além de suas fronteiras.

Mas a inexistência de um encontro cara a cara entre os dois presidentes, enquanto é travado um combate contra o Estado Islâmico (EI) no Oriente Médio, reflete o clima entre os aliados.

No aeroporto de Istambul nesta terça-feira, pouco antes de viajar a Washington, Erdogan afirmou, no entanto, que se reunirá com seu colega americano durante a cúpula, embora a forma desta reunião ainda precise ser definida.

Um comunicado da presidência turca, no qual a viagem era anunciada, nem mesmo citava Obama, e indicava apenas que Erdogan teria conversas de alto nível em Washington sobre a luta contra o terrorismo após os atentados de Bruxelas, Ancara e Istambul.

Segundo o jornal Hürriyet, Erdogan esperava inaugurar a mesquita, a única nos EUA com dois minaretes, junto a Obama, mas ele rejeitou a ideia. 

Tensão em protestos na Turquia
Lefteris Pitarakis/AP
Tensão em protestos na Turquia

Pelo menos 70 pessoas foram presas pela polícia turca neste dia 1º de Maio 

Relações envenenadas. A Turquia foi durante muito tempo encarada pelos Estados Unidos como uma aliada muçulmana chave, e uma força moderada de estabilização na região.

As relações se tornaram tensas nos últimos meses devido à guerra na Síria. Washington pede à Turquia que faça mais para combater o EI, enquanto Ancara expressa sua frustração pelo apoio americano aos combatentes curdos.

Derrotar o EI é a prioridade de Washington. Mas a Turquia quer, antes de tudo, a saída do poder do presidente sírio Bashar Assad, uma hipótese cada vez menos plausível após o apoio militar russo ao regime de Damasco.

Washington apoia ativamente os curdos sírios e seu principal partido, o PYD, já que considera que constituem a melhor opção de lutar contra o EI. Mas Ancara os considera o braço sírio do curdo PKK, o grande inimigo interno turco.

A essas tensões se somam as denúncias de Washington sobre os ataques na Turquia contra a democracia e a liberdade de expressão.

"Não estamos sempre de acordo em todos os temas. A liberdade de imprensa é um exemplo disso", declarou na segunda-feira o porta-voz do departamento de Estado, John Kirby.

Durante sua viagem aos Estados Unidos, Erdogan também planeja jantar com empresários e responsáveis da comunidade judaica americana, indicou seu porta-voz, em uma tentativa de reconstruir os laços entre a Turquia e Israel. / AFP e EFE 

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em InternacionalX