Marco Bello/Reuters
Marco Bello/Reuters

Escassez de água e itens de higiene leva a surto de sarna na Venezuela

Casos da doença aumentaram 58,5% no primeiro trimestre de 2016 em virtude de crise hídrica e falta de remédios, diz oposição

O Estado de S. Paulo

06 Abril 2016 | 17h07

CARACAS  - A Secretaria de Saúde do Estado venezuelano de Miranda apresentou nesta  quarta-feira, 6, um relatório no qual vincula o aumento de doenças como sarna, diarreia, malária e disenteria à escassez de produtos de higiene pessoal no país e à deterioração dos serviços de fornecimento de água provocado pelas poucas chuvas causadas pelo El Niño.  O Estado é governado por Henrique Capriles, um dos principais líderes da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática e os dados são contestados pelo governo de Nicolás Maduro. 

"O pouco acesso a água de qualidade tem aumentado a incidência de diarreia. Há menos água para limpar alimentos e higiene pessoal", diz o relatório. "Além disso, como as pessoas são obrigadas a armazenar água, o risco de surgir criadouros do Aedes aegypti, o que aumenta os casos de dengue, zika e chikungunya."

Ainda de acordo com o relatório, quando a escassez de água se junta à de produtos de higiene, surgem as doenças de pele, como a sarna. No primeiro trimestre do ano passado, foram 878 casos. Neste ano, o número subiu para 1392, um aumento de 58,5%. 

"O pico dos casos de sarna em Miranda coincide com o mês de recomeço das aulas, onde as crianças não são mais obrigadas a se lavar e trocar de roupas", diz o relatório. "Embora o Estado tente manter o nível de abastecimento na capital, é possível supor, a nível nacional, que a situação seja mais grave no interior das províncias."

A previsão da secretaria para os casos de malária em Miranda é de o maior número de casos em 50 anos. "Não há remédios para diarreia nem doenças hepáticas", diz o texto, que ainda critica o abandono da Divisão de Controle Sanitário e Alimentos do governo chavista. 

"Não há controle do que é armazenado, da temperatura e quem lida com os alimentos não é certificado", conclui. 

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