Espanhóis questionam apoio aos EUA

Muitos espanhóis têm dúvidas sobre a conveniência do apoio incondicional dado por seu governo à guerra contra o terrorismo convocada pelos EUA, apontam várias pesquisas. O chefe do governo, José María Aznar - que escapou de um atentado atribuído aos separatistas bascos em 1985 -, ofereceu firmemente seu apoio aos EUA, incluindo o envio de tropas espanholas ao Afeganistão, se houver um pedido nesse sentido do presidente americano, George W. Bush. Na quinta-feira passada, no Congresso, Aznar disse que esse nível de apoio não poderia ser menor devido ao compromisso ativo do governo espanhol em combater o terrorismo. Mas as pesquisas mostram que a população é mais cética sobre a campanha antiterrorista do que outros aliados dos EUA na Europa. Cerca de 60% dos espanhóis consultados em pesquisas recentes se opõem à oferta de tropas feita por Aznar, embora a cifra dos que discordam tivesse sido 5% maior uma semana antes. Em contraste, várias sondagens mostram que 66% dos alemães, 63% dos italianos, 79% dos britânicos e 73% dos franceses apóiam que seus países tenham um papel ativo na batalha contra o terror. Em mensagem pela televisão divulgada em 7 de outubro, Aznar advertiu que não era momento de vacilar a respeito do apoio à campanha, pois os espanhóis haviam experimentado na própria carne o terrorismo e sabiam quanta união e perseverança são exigidas para combatê-lo. Desde a década de 60, o grupo separatista basco ETA se responsabilizou pela morte de centenas de pessoas - em sua maioria, políticos, policiais, juízes e jornalistas - dentro de sua campanha pela independência da região do norte do país. Em janeiro, a Espanha assumirá a presidência da União Européia por 6 meses, e Aznar tentaria cerrar fileiras na luta contra todo tipo de terrorismo - o que, em seu julgamento, inclui ações contra o ETA. Leia o especial

Agencia Estado,

22 Outubro 2001 | 17h33

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