AFP PHOTO/YURI CORTEZ
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Comissão de Direitos Humanos investigará caso dos 43 estudantes desaparecidos

Grupo de especialistas seguirá trabalhando no caso após firmar um acordo com o governo do México

O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 11h46

WASHINGTON - O grupo de especialistas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) designado para investigar o desaparecimento de 43 estudantes há um ano em Iguala, no estado de Guerrero, continuará trabalhando no caso após um acordo firmado com o governo do México na terça-feira.

As duas partes apresentaram o documento de dez compromissos em uma audiência pública da CIDH, uma das mais esperadas, sobre o caso dos alunos da Escola Normal Rural de Ayotzinapa, realizada em Washington, na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA). O local ficou abarrotado de ativistas e jornalistas.

O mandato do Grupo Interdisciplinar de Especialistas Independentes (GIEI), que expirava no dia 31 de outubro, será renovado por um período a ser determinado nos próximos dias pela CIDH, que pede ao governo do México mais seis meses. Os parentes das vítimas, porém, exigem um prolongamento indefinido.

Um dos principais pontos do acordo é a transferência do caso da Subprocuradoria Especializada em Investigação do Crime Organizado à Subprocuradoria de Direitos Humanos do México.

"O motivo da transferência é contar com novos olhos, com pessoas que tomam uma posição a partir do que já se averiguou, com um perfil de especialização em direitos humanos e em desaparecimentos", destacou Ángela Buitrago, uma das cinco analistas do GIEI.

A mudança da equipe de investigação foi uma das exigências feitas pelos representantes da sociedade civil, como o diretor do Centro Prodh, Mario Patrón. Ele havia denunciado que os representantes da Subprocuradoria Especializada em Investigação do Crime Organizado tinham "omitido provas e distorcido a teoria do caso".

O diretor da Subprocuradoria de Direitos Humanos, Eber Betanzos, destacou no acordo o relatório que o GIEI apresentou em setembro e que foi incorporado à investigação. Ele qualificou como "fundamental" a participação do grupo para que haja “um rumo transparente e uma consultoria especializada" no caso. “A busca dos estudantes continua e continuará”, disse Betanzos.

No relatório de 560 páginas, o GIEI denuncia irregularidades na apuração do crime e questiona a versão oficial, segundo a qual os 43 estudantes foram presos por policiais corruptos em Iguala e entregues a membros do cartel Guerreros Unidos, que os mataram e queimaram os corpos em um aterro sanitário de uma cidade próxima.

Um dos aspectos que os especialistas deverão continuar negociando com o governo mexicano é a exigência de poder interrogar pessoalmente os agentes do 27ª Batalhão de Polícia de Iguala.

"Temos certeza de que eles estiveram no local e temos dúvidas sobre o que aconteceu. Por isso consideramos ser indispensável que nós façamos as perguntas", afirmou Claudia Paz y Paz, outra das especialistas do grupo da CIDH.

Questionado por membros da comissão e jornalistas, o subsecretário de Direitos Humanos do México, Roberto Campa, se limitou a dizer que a "diligência no 27º Batalhão pode ser desenvolvida nos termos do acordo por meio do Ministério Público".

A resposta não foi interpretada como "não" pelos representantes da GIEI, mas sim como "uma porta aberta para continuar insistindo", disse Claudia. /EFE e AFP

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