EFE/Christian Iglesias
EFE/Christian Iglesias

Esquerda chilena se une contra Piñera no 2º turno de eleição presidencial

Beatriz Sánchez, terceira colocada no primeiro turno com 20,3% dos votos, anunciou apoio ao governista Alejandro Guillier depois do ex-presidente direitista Sebastián Piñera denunciar suposto esquema de cédulas marcadas para favorecê-los

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 11h48

SANTIAGO - A jornalista Beatriz Sánchez, terceira colocada no 1º turno da eleição presidencial no Chile, anunciou na noite de segunda-feira, 4, seu apoio ao candidato governista Alejandro Guillier na disputa em segundo turno pouco depois de o ex-presidente Sebastián Piñera - o mais votado em 19 de novembro - denunciar a suposta existência de votos marcados em favor dos dois candidatos de esquerda.

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Em entrevista na capital chilena, Sánchez afirmou que o ex-presidente conservador "cruzou um limite" ao insinuar que ela fez parte de esquema para fraudar a eleição. Surpresa na eleição deste ano, ela teve 20,3% dos votos e seu apoio a Guillier pode ser decisivo no resultado final.

"Meu voto será contra Sebastián Piñera e para isso votarei em Alejandro Guillier", afirmou Sánchez, ao reafirmar que a acusação de Piñera era "inaceitável" e tinha contribuído para sua decisão de manifestar apoio explícito ao adversário do empresário direitista.

Hora antes, ela já tinha usado sua conta no Twitter para criticar as acusações de Piñera. "Chega. A ambição de poder não pode justificar a falta de respeito com as milhares de pessoas que trabalharam como mesários. O fim não justifica os meios", escreveu.

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Ainda na noite de segunda-feira, Guillier agradeceu ao apoio da candidata da Frente Ampla - coalizão que reuniu 14 partidos radicais de esquerda no primeiro turno. "Obrigado @labeasanchez por sua transparência, força e valor. Aprecio muito seu apoio e a unidade para construir um Chile mais justo", escreveu o candidato governista também no Twitter.

Outros dirigentes da Frente Ampla também anunciaram que votação em Guillier no segundo turno, no dia 17. 

A denúncia

Piñera afirmou na segunda-feira em entrevista à rádio ADN que no primeiro turno "a muitas pessoas foi passado uma cédula que estava marcada a favor de (Alejandro) Guillier ou de Beatriz Sánchez" quando estavam prestes a votar.

Presidente do Chile entre 2010 e 2014, e vencedor do primeiro turno com 36,6% dos votos, Piñera excluiu o Serviço Eleitoral da denúncia, sem identificar um culpado concreto. "Alguém na mesa marcou o voto antes que o cidadão pudesse expressar sua preferência", explicou.

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O governo repudiou a denúncia de Piñera, a primeira acusação sobre irregularidades em uma votação feita por um candidato durante um processo eleitoral no Chile.

"O Chile tem um prestígio internacional por suas eleições corretas e transparentes. Sejamos responsáveis e não desacreditemos nossas instituições democráticas", reagiu a presidente Michelle Bachelet, em sua conta oficial do Twitter.

"Não há uma denúncia concreta sobre entrega de votos marcados", afirmou o presidente do Conselho Diretor do Serviço Eleitoral, Patricio Santamaría.

Piñera afirmou que no segundo turno, daqui a duas semanas, que deve ser muito disputado, os partidos de direita terão representantes na maioria das mesas para evitar irregularidades. "É preciso ter olhos atentos", disse o ex-mandatário. No primeiro turno, ele se queixou de não ter representantes suficientes nos centros de votação.

Sobre a falta de provas de suas afirmações, o ex-presidente reiterou que as denúncias foram "formuladas por cidadãos". Por isso, ele recomendou que seus opositores vejam o que a imprensa do país mostrou no dia do primeiro turno. 

Questionado por jornalistas, Piñera evitou responder se denunciará os "votos marcados". Por outro lado, José Antonio Kast, candidato da extrema direita derrotado no primeiro turno - que agora apoia Piñera - foi mais longe do que o aliado.

"Claramente houve fraude. Não quero que nos roubem a eleição", disse Kast, sem também apresentar provas. 

No Chile, onde o voto é voluntário, mais de 14 milhões de pessoas estão habilitadas a ir às urnas. / EFE e AFP

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