REUTERS/Rodrigo Garrido
REUTERS/Rodrigo Garrido

Esquerda se une em reta final de eleição para presidente no Chile

O ex-presidente uruguaio José 'Pepe' Mujica participa de campanha de Guillier, que recebeu apoio de líderes estudantis somente às vésperas do segundo turno

O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2017 | 05h00

SANTIAGO - A campanha do segundo turno da eleição chilena acabou nesta quinta-feira,14, com setores da esquerda aderindo à candidatura do jornalista Alejandro Guillier, que no domingo enfrenta o conservador Sebastián Piñera. O último comício de Guillier teve participação do ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica e de deputados da Frente Ampla do Chile, da candidata Beatriz Sánchez, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno. 

“É bom que um grande amigo como Pepe venha compartilhar nossa alegria em um momento histórico como este”, disse Guillier, que exaltou a aprovação no Senado do projeto que institui o ensino superior gratuito no país – uma bandeira que mobilizou a nova esquerda chilena nos últimos anos. “Temos de representar o setor da sociedade que quer mudar, não retroceder.”

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Guillier também agradeceu o apoio de deputados da Frente Ampla chilena, como Giorgio Jackson e Gabriel Boric, que declararam o voto nele, embora tenham dito que farão parte da oposição uma vez que ele seja eleito. “É o momento de união de todas as bandeiras progressistas do Chile.”

A candidata presidencial da Frente Ampla, Beatriz Sánchez, que teve 20% dos votos no primeiro turno, já tinha declarado voto em Guillier. Já o ex-presidente uruguaio, em seu discurso, apelou indiretamente ao apoio da esquerda radical, ao dizer que “o grande problema do campo progressista sempre foi a dificuldade em se unir.”

Piñera, por sua vez, relativizou a presença de Mujica no comício de Guillier, ao lembrar que o ex-presidente uruguaio é favorável à demanda boliviana por uma saída para o mar, à qual os chilenos historicamente se opõem. 

No primeiro turno, o ex-presidente do Chile, que governou o país de 2010 a 2014, conseguiu 36,6% dos votos (muito abaixo do esperado), contra 22% de Guillier. “Provavelmente, a eleição será definida por menos de 200 mil votos de diferença”, afirma Marcelo Mella, analista político da Universidade de Santiago.

O resultado dependerá, principalmente, do que decidirem os eleitores da Frente Ampla, que deu liberdade de voto a seus eleitores – apesar de Sánchez e de alguns deputados terem anunciado que votarão em Guillier. “A matemática joga a favor de Piñera, mas o momento está com Guillier”, afirmou no sábado o analista Francisco José Covarrubias, do jornal El Mercurio.

Projeções

O fantasma da derrota começou a rondar a coalizão de Piñera diante da possibilidade de uma união de todas as forças de centro-esquerda – que disputou o primeiro turno fragmentada em seis candidaturas e juntas somariam 55% dos votos em Guillier.

Analistas consideram que, quanto maior o comparecimento, maior a chance de Guillier, já que, ao contrário de Piñera, ele tem mais margem para ganhar votos. “Guillier tem de tentar conter a abstenção, enquanto Piñera tem de manter os que já votaram nele e obter os 500 mil votos do candidato de extrema direita José Antonio Kast, apelando a uma moderação construtiva”, afirmou o sociólogo Axel Callís.

Piñera obteve o apoio do “pinochetista” Kast, que teve 7% dos votos no primeiro turno, e do senador Manuel José Ossandón, que foi seu rival nas primárias da coligação Chile Vamos. Após realizar uma campanha serena no primeiro turno, segundo analistas, Piñera foi mais errático e disperso na campanha do segundo turno.

O ex-presidente chegou a denunciar uma possível fraude em favor de Gullier e de Sánchez, o que rendeu críticas e levou a candidata esquerdista – que estava indecisa – a declarar voto em Guillier. / REUTERS, AFP e EFE 

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