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Estado Islâmico destrói estátua do Leão de Alat na cidade síria de Palmyra

Segundo ONG, o monumento de pedra de 3 metros de altura e 15 toneladas foi destruído no sábado pelos jihadistas

O Estado de S. Paulo

02 Julho 2015 | 16h38

BEIRUTE - O grupo Estado Islâmico (EI) destruiu a famosa estátua do Leão de Alat, que se encontrava na entrada do Museu de Palmyra, informou ontem o diretor-geral do Departamento de Antiguidades e de Museus da Síria, Mamun Abdelkarim.

“Os membros do EI destruíram no sábado o Leão de Alat, uma peça única de 3 metros de altura e cerca de 15 toneladas. É o mais grave dos crimes cometidos pelos jihadistas contra o patrimônio de Palmyra”, disse Abdelkarim.

A estátua de pedra descoberta em 1977 por um grupo de arqueologistas poloneses no Templo de Alat data do século 1.º a. C. A versão rigorosa do Islã sunita adotada pelo EI considera as estátuas humanas objetos de idolatria. “Nós a tínhamos coberto com uma placa de ferro e sacos de areia para protegê-la dos bombardeios, mas nunca acreditamos que o EI chegaria à cidade para destruí-la”, acrescentou.

No final de maio, os jihadistas tomaram a cidade de Palmyra (centro da Síria), que abriga ruínas mundialmente conhecidas e declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Desde a tomada da cidade, a comunidade internacional teme que o EI destrua os numerosos tesouros arqueológicos de sua parte antiga, batizada de “a pérola do deserto sírio, como o grupo fez nos últimos meses no Iraque.

A Unesco disse ontem que a destruição de antiguidades e sítios arqueológicos nas zonas de conflito pelo Estado Islâmico ou outros grupos extremistas constitui crime de guerra.

EI também anunciou ontem que destruiu várias estátuas de Palmyra que estavam com um traficante na Província de Alepo (norte). Segundo o grupo, o culpado foi levado a um tribunal islâmico na cidade de Menbej (a leste de Alepo), que decidiu castigar o traficante com chibatadas e destruir as oito estátuas apreendidas. O tráfico de objetos antigos provenientes de Palmyra começou antes mesmo da chegada do EI à cidade e o Departamento de Antiguidades conseguiu recuperar 1.320 peças roubadas.

Em fevereiro, o EI divulgou vídeos na internet de jihadistas destruindo com marretas e furadeiras várias estátuas do Museu da Civilização de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque. Um dos jihadistas que aparece no vídeo justifica a destruição dizendo que os povos da antiguidade adoravam ídolos “em vez de Alá”. O EI considera que isso vai contra o monoteísmo e diz que o próprio profeta Maomé destruiu outras figuras de ídolos religiosos.

Crucificações - Segundo a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede em Londres, o Estado Islâmico crucificou ontem mais oito pessoas na Síria e aplicou 70 chibatadas pelo não cumprimento do jejum do mês sagrado do Ramadã. Nos últimos dias, o EI tem aplicado esse tipo de punição em várias cidades sob seu controle na Síria.

No Iraque, ao menos 76 pessoas morreram e outras 45 ficaram feridas em ataques e confrontos com as forças iraquianas, apoiadas pela aviação da coalizão internacional, e jihadistas do EI, informaram fontes de segurança. O maior número de mortos foi no oeste de Samarra, a 40km de Tikrit, onde o Exército iraquiano atacou posições dos jihadistas e matou 17 deles. / AFP e EFE

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