Estados islâmicos pedem provas contra Bin Laden

Líderes da Organização da Conferência Islâmica questionaram hoje se os Estados Unidos têm provas para apoiar seus duros ataques contra o Afeganistão, e externaram preocupação com os "civis inocentes" que podem estar sendo atingido na guerra contra o terrorismo. Presidindo hoje uma sessão de emergência de ministros do Exterior dos 56 países que formam a organização, o emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, condenou os ataques de 11 de setembro contra Nova York e Washington. Entretanto, ele disse que uma retaliação "não deve ser estendida a ninguém mais do que aqueles que promoveram os ataques. Isso requer o oferecimento de evidências conclusivas contra os acusados". O emir, numa aparente crítica à campanha global antiterrorista do presidente dos EUA, George W. Bush, disse que o diálogo é a melhor forma de se resolver conflitos. "O mundo islâmico estava entre os primeiros que pediram um diálogo de civilizações... ao invés de cair em campos e grupos conflitantes baseado no princípio de ´se você não está do meu lado, então você está contra mim´", afirmou o xeque Hamad. O emir - que anteriormente havia anunciado que o Catar vai doar US$ 10 milhões para um fundo de ajuda aos afegãos - também pediu para que seja feita uma distinção entre terrorismo e "o direito legítimo das pessoas de defenderem sua liberdade e autodeterminação". Foi uma aparente referência ao conflito israelense-palestino, que em 12 meses de violência já deixou 677 mortos no lado palestino e 184 no lado israelense. Além da contribuição de Catar ao fundo de ajuda aos afegãos, a Arábia Saudita doou US$ 10 milhões, os Emirados Árabes Unidos, US$ 3 milhões e o Omã, US$ 1 milhão. O líder palestino, Yasser Arafat, falando no encontro de Doha, advertiu que o mundo não deve se concentrar apenas nos ataques de 11 de setembro e esquecer da violência israelense-palestina. Os ministros do Exterior concluíram sua reunião na noite de hoje, expressando, no comunicado final, o desejo da conferência islâmica de participar num esforço liderado pela ONU "para se definir terrorismo sem seleção ou dois pesos e duas medidas, tratar suas causas e erradicar suas raízes". Enquanto condenando o terrorismo, ela também pediu a realização de uma conferência global antiterrorista. O comunicado não reiterou o pedido do emir do Catar para os EUA apresentarem provas relacionadas aos ataques. Entretanto, o comunicado rejeitou que "qualquer Estado islâmico ou árabe seja atingido sob o pretexto de se estar lutando contra o terrorismo", e expressou sua preocupação com a morte de civis afegãos nos bombardeios dos EUA. O ministro do Exterior da Síria, Farouk al-Sharaa, disse à Associated Press que é "proibido" alvejar Estados árabes ou muçulmanos. "Foi reafirmado que a conferência rejeita decididamente que se ataque qualquer Estado árabe ou muçulmano, e isso significa que todos os árabes e muçulmanos ficarão do lado do país atacado", afirmou. Representantes do Taleban e do governo no exílio do ex-líder afegão Burhanuddin Rabbai, reconhecido pelos EUA e a ONU, não participaram da conferência. Líderes árabes têm condenado os ataques terroristas que mataram mais de 5.000 pessoas nos Estados Unidos, e expressam apoio à campanha antiterrorista. Entretanto, existe preocupação de que os EUA possam querer estender seu ataques para países árabes. O comunicado dos ministros do Exterior também rejeitou que se "vincule terrorismo aos direitos do povo árabe e muçulmano, incluindo o direito dos palestinos e libaneses de autodeterminação, autodefesa e de resistir à agressão e ocupação israelense e estrangeira". Leia o especial

Agencia Estado,

10 Outubro 2001 | 14h33

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