EUA colocam em ação a "fortaleza voadora"

O Demônio de Fogo que destruiu a cidadela de Nan Nag, no Vietnã, em 1974, voou também nos Balcãs há dois anos, está despejando aço quente sobre o Taleban há 48 horas. É um grande avião, o AC-130H Spectre, a versão do enorme Hércules C-130 armada com canhões pesados, bombas e cargas demolidoras; uma configuração criada para arrasar posições em terra, na selva ou entre as dobras de desfiladeiros e montanhas. Por causa dele o engenheiro sérvio Ignatz Zoldan jamais se esquecerá de 3 de abril de 1999. Segundo ele, "a noite em que o céu desabou." Zoldan, um ex-aluno da USP, estava em casa ouvindo a rádio estatal de Belgrado "quando as paredes começaram a tremer e tudo parecia estar em chamas e explodindo." O engenheiro saiu à rua a tempo de ver pouco acima dos prédios padronizados de cinco andares "o que pareceu um navio negro voando devagar, atirando por todos os lados, deixando arrasada a avenida onde estava a sede do Ministério do Interior: todos os edifícios foram atingidos." Na manhã seguinte Zoldan soube que as forças da Otan haviam usado pela primeira vez no conflito a fortaleza voadora criada nos anos 70 por um grupo de especialistas da empresa americana Lockheed com um objetivo específico, a destruição de uma até então inexpugnável fortificação vietcongue. Deu tão certo que o modelo híbrido foi transformado em um projeto formal aperfeiçoado oito vezes ao longo dos últimos 18 anos. O conceito é o mesmo das canhoneiras costeiras e fluviais utilizadas pelos exércitos britânicos na China e na Índia a partir do século 18: poder de fogo, agilidade e velocidade de manobra. O tipo em uso pela força aérea dos Estados Unidos contra alvos no Afeganistão é o arranjo mais recente, combinando seis diferentes peças de artilharia - 2 obuseiros de 105mm, 2 canhões de 40mm, 2 canhões de 20mm rotativos de 6 canos - guarnecidos por 2 metralhadoras 7.62 mm definidas como "minicanhões." Todo esse arsenal é municiado com projéteis de aço, titânio ou urânio exaurido para penetrar blindagens e fortificações. Um mecanismo especial lança cargas explosivas de demolição de uma tonelada. Os obuses podem disparar um mix de granadas de fragmentação e incendiárias. A modernização mais recente desse gigante - 4 motores, envergadura de 40,4 metros; 29,7 metros de comprimento; 11,6 metros de altura e 70 toneladas de peso - deu à sua tripulação novos radares de combate, sensores laser de tiro, tevê de imagem térmica para reconhecimento a baixa altura, e sistema de reabastecimento em vôo. A fuselagem recebeu uma camada da mesma fibra anti-ruído que reveste submarinos, dificultando a detecção eletrônica por meio de radares, e um reforço blindado de liga leve. O ataque do Spectre é feito a baixa velocidade, não mais de 185 km/hora. Todas as 6 unidades estão comissionadas na 23ª Força Aérea/ 1ª Ala de Operações Especiais. Leia o especial

Agencia Estado,

16 Outubro 2001 | 20h21

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