AP Photo/Jacquelyn Martin
AP Photo/Jacquelyn Martin

EUA dizem estar prontos para discutir crise nuclear com a Coreia do Norte

Nova abordagem diplomática de Tillerson surge quase duas semanas depois de teste com míssil intercontinental

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 14h53

WASHINGTON - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, propôs nesta quarta-feira, 13, iniciar conversas diretas com a Coreia do Norte sem precondições, recuando da exigência americana crucial de que primeiro Pyongyang precisa aceitar que abdicar de seu arsenal nuclear seria parte de qualquer negociação.

+Polícia de Seul acusa hackers da Coreia do Norte de roubar bitcoins

A nova abordagem diplomática de Tillerson surge quase duas semanas depois de a Coreia do Norte ter dito que testou com sucesso um novo Míssil Balístico Intercontinental (ICBM, na sigla em inglês) que coloca em tese todo o território continental dos EUA ao alcance de suas armas nucleares.

“Vamos simplesmente nos reunir”, disse Tillerson em um discurso no centro de estudos Conselho do Atlântico, em Washington, na terça-feira.

Mais tarde a Casa Branca emitiu um comunicado ambíguo que não esclareceu se o presidente Donald Trump - que disse que Tillerson perde tempo buscando o diálogo com os norte-coreanos - deu seu aval ao discurso.

“As opiniões do presidente sobre a Coreia do Norte não mudaram”, disse a Casa Branca. “A Coreia do Norte está agindo de uma maneira arriscada... as ações da Coreia do Norte não são boas para ninguém, e certamente não são boas para a Coreia do Norte”.

+Kim quer transformar a Coreia do Norte na maior potência nuclear

Repercussão 

Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lu Kang, disse que a China aplaude todos os esforços para amenizar a tensão e promover o diálogo para resolver o problema. A China espera que os EUA e a Coreia do Norte possam encontrar um meio-termo e dar passos significativos para o diálogo e o contato, disse ele aos repórteres.

Antes da fala de Tillerson, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, prometeu desenvolver mais armas nucleares enquanto condecorava pessoalmente cientistas e autoridades que contribuíram para o desenvolvimento do ICBM mais avançado de Pyongyang, noticiou a mídia estatal nesta quarta-feira.

Na terça-feira, Kim disse que os cientistas e trabalhadores continuarão a fabricar “mais armas e equipamentos de ponta” para “fortalecer a potência nuclear em qualidade e quantidade”, relatou a agências de notícias KCNA.

Embora reiterando a posição já antiga de Washington de que seu país não pode tolerar uma Coreia do Norte com armas nucleares, Tillerson disse que os EUA estão “prontos para conversar a qualquer momento em que eles estejam prontos para conversar”, mas que primeiro precisará haver um “período de silêncio” sem testes nucleares e de mísseis.

+Japão, EUA e Coreia do Sul vão esperar para fazer testes com mísseis

Já o Japão defendeu a estratégia de pressionar o regime a abrir mão de seu arsenal nuclear por meio de sanções./REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.