Reuters
Reuters

EUA e Japão se comprometem a renovar aliança

Em Tóquio, Obama inicia sua 1ª visita oficial à Ásia para estreitar laços com a região mais populosa do mundo

estadao.com.br,

13 Novembro 2009 | 11h08

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, comprometeram-se, nesta sexta-feira, 13, a renovar a aliança dos 50 anos entre seus países. Obama prometeu aprofundar o envolvimento americano na região e declarou ainda que a aliança entre Washington e Tóquio representa "as fundações" da paz e da prosperidade na Ásia. Buscando reparar as relações entre os dois países, Obama concordou ainda em reabrir as discussões sobre a realocação da base da Marinha americana em Okinawa.

 

Veja também:

Integração asiática é desafio para Obama

''Obamania'' causa furor na China 

 

Obama desembarcou em Tóquio num período de incertezas nas relações entre os dois aliados nas questões de política externa e de bases americanas. Yukio Hatoyama, que ao ser eleito prometeu refundar a relação com os EUA sobre bases mais justas, disse que o Japão não mais reabastecerá embarcações que levam suprimentos ao Afeganistão. Ele prometeu, porém, auxílio para civis afegãos, em setores como educação, agricultura e de polícia. Também se comprometeu a cooperar com Washington no combate à mudança climática e para evitar proliferação nuclear.

 

Hatoyama quer revisar o acordo de segurança formalizado com os EUA em 1960 e afirmou que pretende abandonar um impopular plano de construção de uma nova base militar americana em Okinawa. Obama afirmou que Tóquio e Washington deveriam trabalhar juntos rapidamente para resolver o impasse. A realocação de quase 10 mil fuzileiros americanos instalados na maior das 88 bases dos EUA no Japão, na Ilha de Okinawa, ameaça abalar as relações militares entre os dois países.

 

A base de Futenma, descrita como um exemplo da "renovação" da aliança nipo-americana, tomou boa parte da conversa entre Obama e Hatoyama, que decidiram deixar o assunto para uma comissão de trabalho. Os EUA querem seguir adiante com um acordo assinado em 2006 que prevê a transferência da base, atualmente em uma cidade de 92.000 habitantes, para uma área menos povoada da ilha. Hatoyama, por sua vez, gostaria que os militares americanos abandonassem o território japonês. O primeiro-ministro japonês disse ainda que a decisão definitiva sobre Futenma será "difícil", mas se tornará ainda mais complicada à medida que o tempo passar.

 

A base foi imposta aos moradores da ilha em 1945, no fim da 2ª Guerra, depois de os EUA terem subjugado os japoneses lançando duas bombas atômicas, sobre Hiroshima e Nagasaki. O que durante a ocupação representou uma presença humilhante converteu-se, no século 21, em peça estratégica para confrontar ameaças tanto da China quanto da Coreia do Norte. Mas o escudo aliado sobre o Extremo Oriente passou nos últimos anos a ser visto como um estorvo. Okinawa representa menos de 1% do território japonês, mas abriga mais de 75% dos militares americanos presentes no Japão. A base está num centro urbano saturado e é vista como um entrave para seu desenvolvimento.

 

Visualizar Giro de Obama pela Ásia em um mapa maior

Tóquio é a primeira parada de um giro de oito dias pela Ásia. Em Cingapura, participará do encontro anual no fórum econômico Ásia-Pacífico. Na Coreia do Sul, o foco será as ambições nucleares norte-coreanas. Mas o maior desafio de Obama na Ásia é o crescente poder econômico e militar da China. Obama se encontrará com os líderes chineses em Xangai e Pequim, fará excursões à Grande Muralha e à Cidade Proibida e terá um encontro com jovens chineses na Prefeitura de Xangai.

 

Washington e Pequim desenvolveram uma relação econômica de dependência mútua. O mercado americano é o principal destino das exportações chinesas e sustentou grande parte do processo de acumulação de reservas internacionais por Pequim, que hoje está sentado sobre uma montanha de US$ 2,27 trilhões. Na mão contrária, a China é a maior financiadora do déficit americano e a principal credora do país, com cerca de US$ 800 bilhões de títulos do Tesouro.

 

Ameaça norte-coreana

 

Os Estados Unidos e o Japão pediram, em uma declaração conjunta, para que a Coreia do Norte retorne às negociações multilaterais sobre o seu programa nuclear. O apelo foi divulgado enquanto Obama e Hatoyama se reuniam para tratar de assuntos como o conflito no Afeganistão, o futuro da base militar dos EUA em Okinawa (Japão) e a luta contra a proliferação de armas nucleares.

 

Segundo a declaração, o programa nuclear norte-coreano representa "uma grave ameaça contra a paz e a estabilidade" para o nordeste asiático e a comunidade internacional. As conversas de seis lados, das quais participam as duas Coreias, Japão, China, EUA e Rússia, devem ser a instância para a resolução da polêmica em torno do programa nuclear norte-coreano e, por isso, "pedem a Coreia do Norte para que volte de forma imediata e incondicional a essas negociações".

 

A declaração também contém uma menção ao programa nuclear iraniano, sobre o qual afirma que a descoberta de uma usina clandestina na cidade de Qom "reforçou as preocupações internacionais". O texto destaca que Japão e EUA "não permitirão que o regime internacional de não-proliferação fique em perigo".

 

De acordo com o documento, o Japão organizará em janeiro uma conferência asiática contra a não-proliferação, anterior à cúpula prevista para meados de 2010 em Washington. EUA e Japão "dão boas-vindas à renovada atenção internacional e ao compromisso de conseguir a paz e a segurança de um mundo sem armas nucleares, e confirmam sua determinação de conseguir um mundo assim", diz a declaração.

 

Afeganistão

 

Sobre o Afeganistão, Obama prometeu uma decisão "transparente" em breve sobre as tropas norte-americanas no país. O líder avalia um pedido do comando militar no Afeganistão para enviar mais dezenas de milhares de soldados para a guerra. "A decisão será tomada em breve", notou, enfatizando que, em seguida, o assunto será explicado de forma clara para a população norte-americana. Mais cedo, funcionários disseram que a decisão sobre a estratégia no combate afegão deve ser anunciada apenas depois da viagem pela Ásia, que se encerra no dia 19.

Mais conteúdo sobre:
Japão EUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.