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AFP PHOTO / Andrew Harnik

EUA e Rússia concordam em tentar acelerar transição política na Síria

Presidente russo Vladimir Putin e secretário de Estado americano John Kerry se comprometeram a avançar em uma solução pacífica para conflito. ONU quer que conversas de paz sejam retomadas em 9 de abril

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O Estado de S. Paulo

25 Março 2016 | 11h56

MOSCOU - EUA e Rússia se comprometeram na quinta-feira a tentar influir para que o regime sírio e os rebeldes acelerem as negociações e estabeleçam um diálogo direto para uma transição política destinado a acabar com a guerra civil, após um mês de cessar-fogo.

Depois de quatro horas de reunião no Kremlin entre o secretário de Estado americano John Kerry e o presidente russo Vladimir Putin, ao lado de seu chanceler Serguei Lavrov, russos e americanos disseram que farão tudo o que for necessário para avançar na solução política do conflito.

Em uma coletiva de imprensa conjunta, Kerry não informou se conversou com Putin sobre o destino do presidente Bashar Assad, tema de discórdia entre Rússia e EUA, mas garantiu que os dois países estão de acordo que o chefe de Estado sírio "deve fazer o necessário" e se engajar no processo de paz.

Ambos os países ajudarão a promover "negociações diretas" entre o regime sírio e a oposição, que realizaram em Genebra uma rodada infrutífera de negociações indiretas, declarou Lavrov. "Em matéria de tarefas prioritárias, nós concordamos em obter o mais rápido possível o início de negociações diretas entre a delegação governamental e todo o espectro político da oposição", declarou.

EUA e Rússia esperam o surgimento do projeto de uma nova Constituição para a Síria antes de agosto, acrescentou Kerry. "Estamos de acordo sobre o fato de que é preciso um calendário e um projeto de Constituição até agosto", destacou.

Negociações de paz. Ao fim das discussões em Genebra na quinta-feira, o enviado especial da ONU Staffan de Mistura disse que as negociações de paz sobre a Síria deverão ser reiniciadas no dia 9 de abril. "O objetivo é começar em 9 de abril", declarou De Mistura aos jornalistas.

A delegação governamental pediu para voltar à Suíça depois das eleições parlamentares que o regime organiza em 13 de abril. Questionado sobre esse pedido, De Mistura disse que as únicas eleições sobre as quais está autorizado a comentar "são as eleições que devem ser supervisionadas pelas Nações Unidas", o que significa que os comícios serão realizados depois de se chegar a um acordo de paz.

Antes de sair de Genebra, o chefe negociador do governo sírio Bashar Jaafari afirmou a De Mistura que sua delegação não estará disponível para negociações até que haja eleições na Síria.O enviado da ONU deixou claro que a organização não vai considerar eleições organizadas pelo governo do presidente Bashar Assad.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas emitiu uma resolução em dezembro de 2015 em que abria caminho para as negociações de Genebra e pediu eleições na Síria 18 meses depois de ser instalado um governo de transição no país.

Ao fim da rodada de negociações indiretas em Genebra, De Mistura apresentou um documento com "12 pontos de convergência" entre os dois campos, incluindo a soberania da Síria e a não intervenção estrangeira, informou uma fonte próxima à delegação do regime. A rodada de negociações começou no dia 14 de março. /AFP

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