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EUA e Rússia iniciarão cessar-fogo na Síria no sábado

A Comissão Suprema para as Negociações (CSN), principal aliança da oposição da Síria, aceitou 'provisoriamente' o acordo alcançado; Putin e Obama conversaram por telefone sobre o acordo 

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O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2016 | 15h52

WASHINGTON - Estados Unidos e Rússia concordaram nesta segunda-feira, 22, em implementar um cessar-fogo na Síria a partir da meia-noite de sábado, do qual estão excluídos os ataques ao Estado Islâmico (EI) e a outras organizações terroristas como Jabhat al-Nusra, informou o Departamento de Estado americano.

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, conversaram por telefone nesta segunda-feira sobre o acordo. A pedido de Putin, os dois presidentes falaram sobre o pacto "para conseguir uma cessação de hostilidades na Síria", informou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, em sua entrevista coletiva diária.

"A cessação de hostilidades será aplicada a todas as partes implicadas no conflito sírio que tenham indicado seu compromisso a uma aceitação de seus termos", afirmou o Departamento de Estado em comunicado. Para assegurar este cessar-fogo de modo que "se promova a estabilidade e proteja aquelas partes implicadas, tanto Rússia como EUA estão dispostos a trocar informação pertinente", acrescentou a nota.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que conversou neste fim de semana em várias ocasiões com seu colega russo, Serguei Lavrov, elogiou o acordo alcançado. "Este é um momento de promessas, mas o cumprimento destas promessas depende de ações", ressaltou Kerry em comunicado.

Esse acordo entre EUA e Rússia é anunciado depois que as potências globais concordaram, dia 11, na Alemanha, que um cessar-fogo para que fosse aplicado em uma semana e que finalmente expirou sem ser cumprido.

A Comissão Suprema para as Negociações (CSN), principal aliança da oposição da Síria, aceitou "provisoriamente" o acordo alcançado entre Rússia e EUA, afirmou à agência EFE o dirigente opositor Hisham Marwa.

Marwa, que é vice-presidente da Coalizão Nacional Síria (CNFROS), o maior integrante da CSN, afirmou por telefone que o acordo contempla, entre outras medidas, a suspensão dos bombardeios russos, a entrada de ajuda humanitária e a libertação de prisioneiros.

Marwa não quis confirmar a data do início do cessar-fogo, porque "é algo que ainda é preciso estudar". De fato, "a CSN ainda tem que dar sua aprovação final a todo o acordo", após analisá-lo ponto por ponto e receber garantias da ONU, ressaltou o opositor.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou hoje o pacto, comentando que este tenta levar um muito esperado "sinal de esperança" para a população do país.

Ban considerou que, se for respeitada, essa cessação de hostilidades representará um "passo significativo" na aplicação da resolução 2254 do Conselho de Segurança, que fixa um roteiro para pôr fim à guerra no país árabe.

O cessar-fogo é anunciado um dia depois que pelo menos 198 pessoas morreram em uma série de atentados reivindicados pelo EI em áreas de maioria xiita em Damasco e na cidade de Homs, segundo a última apuração do Observatório Sírio de Direitos Humanos.

No dia 15 de março se completarão cinco anos do início do conflito na Síria que causou mais de 260 mil mortes, de acordo com dados do Observatório. / EFE 

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