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EFE/EPA/MOHAMMED BADRA

EUA e Rússia trabalham em conjunto para verificar violações do cessar-fogo na Síria

Parte do Grupo Internacional de Apoio à Síria será o responsável por avaliar as supostas violações

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O Estado de S. Paulo

01 Março 2016 | 14h24

WASHINGTON - O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que estabeleceu na segunda-feira com seu colega russo, Serguei Lavrov, um mecanismo para comprovar a veracidade das denúncias sobre violações do cessar-fogo na Síria, e sugeriu que ambas partes em conflito poderiam ter infringido a trégua.

"Agora temos um processo de coordenação e a Rússia concordou que estamos comprometidos para que este esforço (de cessar-fogo) triunfe", declarou Kerry em entrevista coletiva em Washington junto ao ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Kerry, que falou duas vezes com Lavrov ao longo do fim de semana, afirmou que ambos estabeleceram "um processo para julgar as supostas violações da trégua".

Um "grupo de trabalho" criado sob o guarda-chuva do chamado Grupo Internacional de Apoio à Síria, liderado por EUA e Rússia, será o encarregado de avaliar as supostas violações, com equipes em Genebra (Suíça) e em Amã (Jordânia) que estão dialogando entre eles e com os diferentes atores na Síria, explicou Kerry.

"Vamos monitorar qualquer suposta violação e trabalhar ainda mais agora para estabelecer uma estrutura que nos permita garantir que as missões (que sobrevoem a Síria) estejam dirigidas contra o Estado Islâmico (EI) e a Frente Al-Nusra", e não contra as partes na guerra civil do país, acrescentou o titular das Relações Exteriores.

Kerry disse que até o momento houve algumas denúncias de violações "de ambas partes" em conflito e que qualquer outra informação a respeito pode ser dirigida à Rússia, EUA ou à ONU. "Os bombardeios aéreos contra os participantes do cessar-fogo têm que acabar", ressaltou.

O chefe da diplomacia americana lamentou ainda que, embora o cessar-fogo tenha facilitado a chegada de assistência humanitária às áreas assediadas, o regime sírio de Bashar Assad está sendo "lento na hora de conceder permissões" de acesso a essas áreas.

"Este obstrucionismo tem que acabar. Urgimos aos russos e aos iranianos para que façam tudo o que esteja em seu poder para convencer seu aliado" sírio a permitir esse acesso humanitário, ressaltou Kerry.

Até agora, 116 mil pessoas receberam ajuda humanitária na Síria como resultado do fim das hostilidades, e a ONU espera atender 1,7 milhão até o final de março, garantiu o titular das Relações Exteriores americano.

Steinmeier, por sua parte, afirmou que "foram alcançados avanços tangíveis nos últimos dias, e agora é preciso assegurar que (o fim das hostilidades) se transforme em algo mais permanente".

Kerry e Steinmeier terão hoje um jantar de trabalho para falar sobre Síria, Líbia, Ucrânia e o fluxo de refugiados rumo à Europa, que o secretário de Estado voltou a definir como uma "crise global" e não regional.

Conflitos. Mesmo sendo o quarto dia de cessar-fogo, combates entre as forças do regime e facções rebeldes islâmicas explodiram na madrugada desta terça-feira, 1, nos arredores do bairro de Suleiman Halabi, em Alepo - maior cidade do norte da Síria -, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Os grupos armados dispararam projéteis contra áreas sob controle dos soldados do governo, que, por sua vez, abriram fogo de artilharia contra o distrito de Al Sahur.

No norte da província de Alepo, organizações armadas opositoras jogaram foguetes de forma intensa contra as cidades de Bashamra e Basufan, nos arredores do enclave curdo-sírio de Afrin. /EFE

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