AP Photo/Sebastian Pani
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EUA estudam embargo ao petróleo venezuelano contra ‘desvio autoritário’ chavista

Na Argentina, secretário de Estado Rex Tillerson diz que sanções contra exportações da commodity podem pressionar Caracas para realização de eleições livres e justas este ano

O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2018 | 22h03

BARILOCHE, ARGENTINA - O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, disse neste domingo, 4, durante visita à Argentina que Washington estuda implementar sanções contra a produção de petróleo da Venezuela, como meio de impedir o desvio ao autoritarismo do governo de Nicolás Maduro. Em Caracas, o líder chavista cobrou a Justiça do país para acelerar o processo eleitoral, antecipado para o primeiro trimestre. 

“Não fazer nada (contra o governo de Maduro) é permitir que o povo venezuelano continue sofrendo”, declarou Tillerson ao defender as sanções, após reunião com o chanceler argentino, Jorge Faurie. 

O chefe da diplomacia americana realiza seu primeiro tour pela América Latina, que já o levou ao México. Nesta segunda, ele deverá se encontrar com o presidente argentino, Mauricio Macri, em Buenos Aires. Na reunião com Faurie, que ocorreu em Bariloche, na Patagônia argentina, Tillerson disse estar preocupado com a crise humanitária venezuelana e pediu a realização de eleições livres e justas no país. 

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“A posição da Argentina é absolutamente clara. Não estamos reconhecendo o processo político e o desvio ao autoritarismo da Venezuela”, disse o chanceler argentino. 

As últimas punições contra o chavismo foram impostas em 2017 e impedem transações financeiras de bancos americanos com empresas venezuelanas. As medidas prejudicaram seriamente a capacidade da Venezuela pagar sua dívida externa e agravaram a crise econômica no país. 

As vendas de petróleo da Venezuela para os Estados Unidos em 2017 foram as mais baixas desde 1991, de acordo com os dados dos fluxos comerciais da Thomson Reuters, prejudicadas pelas sanções financeiras dos EUA contra o país sul-americano.

Neste ano, a inflação, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) deve chegar a 13.000%. O banco Morgan Stanley prevê uma redução de cerca de 25% na produção de petróleo do país ainda este ano em virtude do sucateamento de ativos e falta de investimento. No ano passado, o PIB venezuelano caiu 13,6%, segundo projeção da consultoria Torino Capital.

Apesar do impacto das sanções, que levou ao calote de títulos da dívida do governo chavista e da estatal do petróleo PDVSA, Maduro ampliou o cerco à oposição, banindo a coalizão Mesa da Unidade Democrática das eleições presidenciais, bem como a candidatura de seus principais líderes, além prender opositores e dificultar a inscrição de legendas antichavistas na Justiça eleitoral. 

Pressa 

Na noite de sábado, Maduro pediu que a Assembleia Nacional Constituinte, que não é reconhecida pela oposição e pela comunidade internacional, marque as eleições o quanto antes – uma pressão, que, dizem analistas, tem a ver com o temor de que a crise se agrave ainda mais. “Peço que as eleições sejam marcadas no mais tardar segunda-feira”, disse Maduro.

Oposição e governo participam também de uma mesa de diálogo na República Dominicana, intermediada pelo governo local, para tentar definir os termos da participação dos antichavistas na eleição presidencial, apesar da falta de garantias dadas do chavismo para um processo com lisura e credibilidade.

Ainda no sábado, Maduro disse que preferiria enfrentar na eleição o opositor Henry Ramos Allup, do partido Ação Democrática, a única legenda opositora que reconheceu a autoridade da Constituinte após as eleições regionais do ano passado. / AFP, REUTERS e EFE

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