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EUA intensificam sanções contra aliados de Putin

O Estado de S. Paulo

20 Março 2014 | 12h 12

No mesmo dia, Parlamento russo aprova anexação da Crimeia e punição contra congressistas e funcionários do governo americano

(Atualizada às 23h45) WASHINGTON - Enquanto os deputados russos aprovavam os últimos detalhes da anexação da Crimeia ao país, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou na quinta-feira, 20, mais sanções contra Moscou em razão da incorporação da península à Rússia. No mesmo dia, o Kremlin anunciou mais retaliações, proibindo congressistas americanos e funcionários de Washington de entrar em território russo.

Durante pronunciamento na Casa Branca, Obama declarou que políticos russos sofrerão os efeitos das novas restrições. Amigos do presidente Vladimir Putin, funcionários do Kremlin, legisladores e empresários ligados ao líder russo são o alvo das novas sanções - que, ao todo, atingem 19 pessoas, além do Bank Rossiya, instituição financeira que presta serviço a funcionários de alto escalão do Kremlin.

O presidente americano disse ter assinado uma ordem executiva que pode ampliar as restrições dos EUA contra a Rússia - não apenas contra membros do governo russo, mas também contra setores inteiros da economia do país.

Obama afirmou que o esforço diplomático para a resolução da crise ucraniana continuará e prometeu coordenar com seus aliados europeus uma pressão sobre Moscou. "As nações não podem simplesmente redesenhar suas fronteiras", declarou o presidente. "Mais agressões (por parte de Moscou) somente isolarão ainda mais a Rússia do restante do mundo."

Na quarta-feira, o presidente americano descartou qualquer possibilidade de ação militar de seu país em resposta à anexação da Crimeia pela Rússia. Pouco depois de Obama anunciar a ampliação das restrições contra Moscou, o Kremlin retaliou. Foram proibidos de entrar no território russo três conselheiros da Casa Branca e seis congressistas que têm criticado a Rússia.

"Acho que isso significa que minhas férias de primavera na Sibéria estão canceladas, minhas ações da Gazprom estão perdidas e minha conta secreta em Moscou está congelada", ironizou o republicano John McCain - que, em dezembro, durante os protestos que levaram à queda do presidente ucraniano pró-Rússia, Viktor Yanucovich, discursou na Praça Maidan, em Kiev, apoiando os manifestantes.

Aprovação

A Câmara Baixa do Parlamento russo (Duma), aprovou nesta quinta o tratado de anexação da Crimeia à Federação Russa. Apenas 1 dos 444 deputados votou contra. O texto segue agora para o Senado.

O comandante da Marinha da Ucrânia, Serhiy Haiduk, e outros ucranianos que tinham sido detidos na Crimeia, foram soltos. Ao mesmo tempo, soldados ucranianos instalavam trincheiras e barreiras nas proximidades da fronteira com a Rússia. Os militares montaram acampamento e levaram veículos de combate para a região.

O ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, mandou uma mensagem ao seu colega americano, Chuck Hagel, garantindo que os soldados russos instalados na fronteira com a Ucrânia não têm planos de invadir o país vizinho. Segundo o russo, as tropas fazem apenas exercícios na região. / AP e REUTERS