EUA não querem forças da ONU no Oriente Médio

Os países árabes não conseguiram, nesta quinta-feira a realização de uma reunião formal do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para debater a violência no Oriente Médio, depois de o grupo ter considerado que não era o momento adequado e os Estados Unidos terem deixado claro que vetariam qualquer resolução referente ao conflito palestino-israelense. O enviado palestino Nasser Al-Kidwa disse nesta semana que realizaria provavelmente uma terceira tentativa para que o Conselho de Segurança adotasse uma resolução que ordenasse uma força de proteção aos palestinos e o fim da violência na região. Israel se opõe ao envio de uma força da ONU. "Houve um amplo consenso no conselho de que não seria apropriado tomar uma decisão neste momento", disse o embaixador interino dos Estados Unidos na ONU, James Cunningham, atual presidente do Conselho de Segurança. Os Estados Unidos continuam "enfocados nos contatos atuais, de muito alto nível", disse Cunningham. "Não acreditamos que uma reunião do Conselho de Segurança seria útil para este processo." O governo do presidente norte-americano George W. Bush iniciou um novo movimento diplomático para pôr fim à violência no Oriente Médio, iniciada em 28 de setembro de 2000. O conflito atual já causou a morte de mais de 450 palestinos e mais de 70 israelenses. Quando foi perguntado se os Estados Unidos estavam preparados para utilizar seu poder de veto e bloquear qualquer resolução sobre o conflito, Cunningham declarou: "Acho justo dizer que não devemos apoiar nenhum passo como este. Nós nos oporíamos." Marwan Jilanu, um assessor de Al-Kidwa, acusou os Estados Unidos de abuso de poder por sua posição como presidente do Conselho, papel este que muda mensalmente. "Acredito que eles deveriam atuar como presidentes do Conselho de Segurança e não utilizar essa vantagem para defender seus interesses nacionais. Há uma requisição formal de um grande número de membros de Estados para a realização de um encontro e acho que é dever do Conselho de Segurança responder positivamente a esta petição." Al-Kidwa, presidente atual do Grupo de Estados Árabes, pediu a "discussão da situação nos territórios palestinos ocupados, inclusive Jerusalém, sobre a intensificação das práticas repressivas contra o povo palestino por parte de Israel".

Agencia Estado,

17 Maio 2001 | 19h37

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