EUA pedem à Grã-Bretanha para redistribuir tropas no Iraque

Os EUA pediram à Grã-Bretanha que redistribua suas tropas no Iraque, enviando seus soldados que estão concentrados em Basra, no sul do país, para a área conhecida como triângulo sunita - na região de Bagdá -, onde a resistência à ocupação é mais intensa, informou hoje o Ministério da Defesa britânico, acrescentando que as autoridades de Londres ainda não tomaram nenhuma decisão sobre o pedido. O ministro da Defesa Geoff Hoon anunciou que dará mais informações sobre o assunto amanhã, numa declaração ante a Câmara dos Comuns. Segundo a imprensa britânica, um total de 650 soldados britânicos seriam enviados de Basra para cobrir posições americanas ao redor de Bagdá, enquanto as tropas dos EUA atacam áreas como Faluja. Nesse caso, os militares britânicos, autônomos no sul do Iraque, passariam a agir sob comando americano - além de estarem mais expostos à violência dos insurgentes. Vários jornais britânicos noticiaram hoje de forma crítica o possível deslocamento de tropas, enquanto líderes do Partido Conservador, de oposição ao governo trabalhista de Tony Blair, denunciavam a "importante mudança de orientação" das tropas no Iraque - que deixaria o sul, onde reina uma relativa calma, na direção no norte, mais violento, sob o mando de oficiais dos EUA. "Esses novos acontecimentos podem assinalar uma mudança fundamental na natureza do deslocamento dos soldados da Grã-Bretanha", sustentou o porta-voz dos conservadores para temas de defesa, Nicholas Soames numa carta aberta a Hoon. "Questionamos seriamente por que, com os 130.000 soldados que os americanos têm no Iraque, precisam de 650 Black Watch britânicos para proteger a retaguarda enquanto atacam Faluja", declarou Soames à BBC. "Sou muito consciente da necessidade de nossos amigos e aliados americanos para fazer a ofensiva à Faluja e prender urgentemente (o terrorista jordaniano Abu Musab) al-Zarqawi", disse, referindo-se ironicamente à eleição americana do dia 2. Em resposta, o ministro da Saúde John Reid disse hoje que qualquer decisão sobre deslocamento deve ser tomada pelos comandantes militares no Iraque e só poderia ser motivada "por razões operacionais", e nunca por razões políticas. Sobre a situação incômoda de pôr os soldados britânicos sob comando americano, Reid afirmou que "em diversas oportunidades, os soldados americanos operaram sob ordens britânicas no Iraque". Mas importantes dirigentes trabalhistas, como o ex-ministro Robin Cook, se manifestaram contra o movimento de tropas afirmando que os soldados britânicos - que em Basra construíram uma relação de "boa vizinhança" com a população local - ficariam expostos à reação da insurgência às táticas mais agressivas que os americanos usam. Em Basra, o porta-voz militar britânico Charlie Mayo disse hoje que as tropas não tinham nenhuma informação sobre o possível deslocamento. "Não existe plano para que o 1º Batalhão Black Watch vá para Bagdá ou Faluja", disse.

Agencia Estado,

17 Outubro 2004 | 15h54

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