Alexei Nikolsky, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP
Alexei Nikolsky, Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP

EUA publicam lista de funcionários e empresários russos próximos a Putin

Documento - que inclui 210 nomes e foi elaborado pelo Departamento do Tesouro - aumenta a pressão de Washington sobre Moscou pela suposta ingerência nas eleições presidenciais americanas; porta-voz do Kremlin disse que 'não se pode ceder às emoções'

O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2018 | 04h40
Atualizado 30 Janeiro 2018 | 09h28

WASHINGTON - O Departamento do Tesouro dos EUA publicou nesta terça-feira, 30, uma lista de funcionários e empresários russos considerados próximos ao presidente Vladimir Putin e podem ser objetos de sanções por suposta interferência nas eleições presidenciais americanas. A lista inclui 210 nomes, sendo 114 funcionários e 96 empresários.

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Elaborado pelo Departamento do Tesouro, o documento aumenta a pressão de Washington sobre Moscou pela suposta ingerência nas eleições de 2016. "Temos que analisar esta publicação, analisar especificamente esta lista que inclui membros da liderança máxima da Rússia, que não tem precedentes", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

"Não é a primeira vez que sofremos manifestações de agressividade, por isso não se pode ceder às emoções. Primeiro devemos compreender e logo expressar nossa posição", afirmou ele durante um encontro com jornalistas.

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Entre os 96 oligarcas, a quem o Departamento do Tesouro aponta para o acúmulo de fortunas superiores a US$ 1 bilhão, estão o magnata do petróleo Roman Abramovich, e o dono do Chelsea, Oleg Deripaska. Destacam-se ainda nomes como o do primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, além de dezenas de assessores, gerentes de empresas estatais e chefes da inteligência russa. 

A elaboração da lista faz parte de uma lei aprovada pelo Congresso americano em julho na qual se contemplam novas sanções contra a Rússia e a qual requer a aprovação do Legislativo para levantar as já existentes. A lei, conhecida como CAATSA (sigla em inglês), também contempla sanções contra a Coreia do Norte e o Irã.

Na segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA anunciou que não iria implementar mais sanções contra a Rússia contempladas na CAATSA, pois considera que apenas a promulgação da lei causou bilhões de perdas para Moscou.

A aprovação da CAATSA no Congresso enfrentou durante semanas a barreira do Legislativo com a Casa Branca em razão da vontade de Trump de melhorar as relações diplomáticas com o Kremlin.

Interferências

Moscou tentará incidir nos resultados das eleições legislativas de novembro, disse o diretor da CIA, Mike Pompeo, em uma entrevista divulgada na segunda-feira pela rede britânica BBC.

"Não vi uma redução significativa de suas atividades", explicou Pompeo referindo-se à suposta ingerência russa nas eleições americanas de novembro de 2016. "Prevejo que continuem" nesse caminho, "mas tenho a convicção de que os EUA serão capazes de ter eleições livres e equitativas (e) rechaçaremos (as ingerências) de maneira suficientemente eficaz para que seu impacto sobre nossas eleições não seja importante", afirmou.

A agência de inteligência americana concluiu que a Rússia de Putin interferiu na campanha eleitoral de 2016 por meio das redes sociais e do vazamento de informações para tentar favorecer a candidatura do republicano Donald Trump. O magnata nega as acusações, chamando-as de "notícias falsas".

Reações

A chamada "lista Putin" transforma a cúpula do poder do país em "inimiga dos EUA", segundo um legislador russo. "A publicação do relatório do Kremlin (...) fecha a porta para a possibilidade de um diálogo futuro, e de fato, o torna inimigo dos EUA", disse nesta terça-feira Leonid Slutski, presidente do Comitê de Relações Internacionais da Duma (Câmara Baixa do Parlamento da Rússia).

"Até onde eu sei, não estamos em guerra. Esta interpretação viola completamente todos os princípios da cooperação internacional. Não tem precedentes", advertiu o legislador.

Já o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Konstantin Kosachev, afirmou que o documento prejudica qualquer perspectiva de cooperação bilateral nos próximos anos.

"As consequências são extremamente tóxicas e minarão as perspectivas de cooperação para os próximos anos. Já não há forma de normalizar as relações, pelo menos enquanto seguir no poder em Washington a atual geração de políticos, formados durante a Guerra Fria", escreveu Kosachev em seu perfil do Facebook. / AFP e EFE

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