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EUA querem que Unasul ouça oposição venezuelana e sugerem outro mediador

Jamil Chade com EFE, AP e Reuters - O Estado de S.Paulo

14 Março 2014 | 02h 03

Pressão. Washington vê com simpatia ação do Brasil para garantir o equilíbrio nas negociações e, depois de abrir porta a sanções, afirma que manterá esforço para que Nicolás Maduro "suspenda campanha de terror contra seu povo"; 28 morreram em protestos

WASHINGTON - Depois de ter sua proposta de mediação na crise venezuelana barrada na Organização dos Estados Americanos (OEA), os EUA pressionam para que a missão diplomática da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), aprovada na quarta-feira, dê voz para opositores e não saia simplesmente em defesa do presidente Nicolás Maduro.

O secretário dos EUA, John Kerry disse ontem que continuará seu esforço diplomático para fazer com que Maduro suspenda a "campanha de terror contra seu povo". Reforçando a pressão da Casa Branca, senadores apresentaram ontem um projeto de sanções contra Caracas.

Segundo uma fonte do Departamento de Estado, os EUA defendem a participação de uma terceira parte na mediação para garantir equilíbrio. O Brasil é visto com simpatia para a tarefa, disse ao Estado a fonte, que não quis se identificar.

A mediação da Unasul foi antecipada pela presidente Dilma Rousseff, na terça-feira, no Chile, e confirmada, no dia seguinte, na reunião de chanceleres do grupo. O primeiro encontro, que deverá incluir todos os envolvidos na crise venezuelana, além dos chanceleres regionais, está previsto para ocorrer na primeira semana de abril.

Fontes diplomáticas ouvidas pelo Estado dizem que o peso dos chanceleres deve fazer com que os principais grupos de oposição, que até agora se recusaram a participar da conferência de paz convocada por Maduro, se sintam obrigados a comparecer.

Ontem, o presidente pediu novamente que os estudantes opositores negociem. "Digo pela enésima vez: eu convoco vocês ao Palácio de Miraflores. Se não querem vir, é porque vocês seguem apoiando a direita violenta do país", disse.

Os líderes estudantis pedem, porém, "clareza" ao governo sobre a proposta de diálogo. Eles argumentam que não estão dispostos a "montar um circo para respaldar uma proposta de paz do governo".

Pentágono. A pressão americana foi além da diplomacia e partiu também para o setor militar. O chefe do Comando Sul do Exército dos EUA, o general John Kelly, afirmou que é necessário que os venezuelanos resolvam o conflito interno antes que ele saia de controle.

Para o general, Maduro não conta com o respaldo total dos militares de seu país. "O governo ainda não utilizou o Exército para controlar os protestos, o que é um sinal de que ele tem suspeitas sobre inclinações políticas na Venezuela", declarou Kelly durante audiência da Comissão do Senado para Assuntos Militares.

Na Venezuela, as funções de polícia são divididas entre a Polícia Nacional Bolivariana e a Guarda Nacional Bolivariana. O Exército não participa da dispersão de manifestações de rua.

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, informou ontem, em Genebra, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que os protestos na Venezuela tiveram um total de 28 mortos - dois a mais do que se conhecia até quarta-feira.

Até ontem, segundo ela, havia também 365 feridos. Na quarta-feira, dia em que os protestos violentos no país completaram um mês, três pessoas foram mortas em Valência, no Estado de Carabobo. A procuradora afirmou ainda que 1.293 detidos durante as manifestações já foram libertados e 104 ainda permanecem sob custódia da polícia.

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