EUA têm votos, mas sanção ao Irã enfrenta obstáculos

Apesar do acordo entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), a aprovação de uma nova resolução com sanções ao Irã deve ser votada apenas em junho. Ainda assim não está claro se os EUA e seus aliados, que desistiram de buscar a unanimidade, conseguirão o número suficiente de votos para aprová-la.

AE, Agência Estado

20 Maio 2010 | 07h29

O governo de Barack Obama sabe que existem três obstáculos para levar o texto de uma nova resolução para votação agora. Primeiro, os debates sobre a revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) na ONU, uma das prioridades do país, se encerrarão somente no fim do mês. Em segundo lugar, a presidência do CS está agora nas mãos do Líbano, que determina a agenda.

Por questões domésticas, os libaneses não têm interesse em colocar a questão do Irã na pauta de votação. Em junho, o México, aliado dos EUA, ocupará a presidência e deve colocar o texto da resolução em votação. Por fim, os norte-americanos e seus aliados não querem correr o risco de perder ou de ter um número de votos baixo, o que reduziria o impacto e poderia ser considerado uma vitória de Teerã.

Mesmo com o apoio de todos os membros permanentes, é preciso que nove países votem a favor da resolução. O Brasil e a Turquia, neste momento, são contra. O Líbano também não apoia. Já México e Japão devem votar com os membros permanentes. Sobram cinco votos, dos quais os EUA precisam de pelo menos dois. Nigéria, Uganda e Gabão ainda não se posicionaram, mas tendem a votar contra as sanções por serem parte da Organização da Conferência Islâmica, formada no âmbito da ONU, que sempre vota em bloco e a favor de países muçulmanos.

A Bósnia, mesmo sendo majoritariamente muçulmana, pretende integrar a União Europeia (UE) e deve votar com os norte-americanos. A Áustria, apesar dos laços econômicos estreitos com o Irã, também tende a apoiar sanções. Assim, os EUA teriam os nove votos necessários, mas a resolução teria pouca legitimidade, principalmente pela falta de apoio de Brasil e Turquia, que ontem enviaram carta à ONU pedindo mais negociações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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