AP Photo/Jacquelyn Martin
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EUA punem empresas venezuelanas e cobram posição mais dura de vizinhos

Mike Pence, vice-presidente dos EUA, pede a expulsão da Venezuela da OEA, o adiamento da eleição do dia 20 e sugere que as nações latino-americanas restrinjam os vistos e responsabilizem Maduro pela ‘destruição’ da democracia no país

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2018 | 14h44
Atualizado 07 Maio 2018 | 21h00

WASHINGTON -  Os governos da América Latina devem se unir aos EUA e punir venezuelanos ligados ao regime de Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, em discurso na OEA. Segundo ele, as novas sanções atingem 3 cidadãos venezuelanos e 20 empresas por ligações com narcotráfico e lavagem de dinheiro – 16 têm sede na Venezuela e 4 no Panamá.

Entre as medidas que sugeriu aos países da região estão ações que impeçam a lavagem de dinheiro, imponham restrições à concessão de vistos e responsabilizem Maduro pela “destruição” da democracia no país. Pence defendeu o adiamento das eleições presidenciais convocadas para o dia 20 e a expulsão da Venezuela da OEA – o país anunciou sua saída da organização em abril do ano passado, mas ainda não se concretizou. 

“Suspenda esse simulacro de eleição”, declarou o vice-presidente, dirigindo-se ao governo Maduro. “Realize eleições reais, dê ao povo da Venezuela escolhas reais, pois o povo da Venezuela merece viver em uma democracia de novo.” Segundo ele, as eleições serão uma “fraude” marcadas pela ausência de candidatos opositores, intimidação de eleitores, manipulação de votos e mudanças de última hora de locais de votação. 

O Panamá é o único país da região que impôs sanções contra venezuelanos ligados ao regime de Maduro. O Brasil resiste a medidas unilaterais sob o argumento de que só apoia sanções aprovadas na ONU. 

Samuel Moncada, vice-ministro das Relações Exteriores da Venezuela para América do Norte, acusou Pence de conclamar a região a cometer um “crime internacional” contra seu país, na forma de sanções que não contam com a chancela da ONU. O diplomata afirmou que o governo Trump é “racista”, “intolerante”, “agressivo” e representa a maior ameaça à região.

O venezuelano acusou Pence e a OEA de hipocrisia e lembrou que o governo representado por ele está deportando dos EUA centenas de milhares de imigrantes estabelecidos há décadas no país e ameaça expulsar cerca de 700 mil jovens beneficiados pelo Daca. Revogado por Trump, o programa protege da deportação estrangeiros levados aos EUA quando crianças.

“Não aceitamos bullying na Venezuela”, disse Moncada, após o pronunciamento de Pence. O vice-chanceler declarou que não há possibilidade de adiamento das eleições e rejeitou a proposta de Pence de abertura de um corredor humanitário que permita a chegada de alimentos, medicamentos e bens de primeira necessidade aos venezuelanos. 

A Venezuela vive uma crise sem precedentes que já levou 1,5 milhão de venezuelanos a se refugiar em países vizinhos, em especial Colômbia e Brasil. Nesta segunda-feira, Pence foi além das críticas e afirmou que a “nuvem escura da tirania” também afeta Cuba e Nicarágua. 

O vice de Trump disse ainda que a estrutura autoritária criada pelos Castros sobreviverá à mudança de poder ocorrida na ilha, no mês passado, com a aposentadoria de Raúl Castro. “Que viva Cuba libre!”, declarou em espanhol, no que foi recebido por aplausos. 

Em seu discurso, Pence anunciou a imposição de sanções contra três venezuelanos ligados ao governo de Caracas, acusados de controlar operações de narcotráfico.

O principal alvo das novas sanções é Pedro Luiz Martín Olivares, ex-diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin). Em 2015, ele foi indiciado por um júri na Flórida sob acusação de narcotráfico.

Os outros atingidos pela medida são Walter Alexander del Nogal Márquez e Mario Antonio Rodríguez Espinoza, ambos associados a Olivares. Eles se unem a uma lista de 50 autoridades ou ex-autoridades do país afetadas por medidas semelhantes adotadas por Washington. 

 

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