EUA veem indícios da participação de estrangeiros em atentado frustrado

Complô. Segundo funcionários da Casa Branca, ataque evitado na Times Square teria sido coordenado por mais de uma pessoa numa ação internacional; polícia procura motorista que teria abandonado carro-bomba numa das regiões mais movimentadas de Nova York

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2010 | 00h00

Funcionários do governo americano disseram ontem que o atentado frustrado com um carro-bomba na Times Square, em Nova York, no sábado à noite, parece ter sido coordenado por várias pessoas em um complô internacional. Pela primeira vez, a Casa Branca descreveu o caso como um "ataque terrorista".

"Sobre qualquer um que tenha o tipo de material que eles tinham num carro na Times Square, eu diria que a intenção era a de aterrorizar, com certeza", disse Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca. "E eu diria ainda que qualquer um que fez aquilo deve, sim, ser qualificado como terrorista."

Investigadores da polícia de Nova York e do FBI interrogaram o ex-proprietário do carro-bomba deixado no local. A identidade do último dono da Nissan Pathfinder não foi revelada. De acordo com The New York Times, ele não é considerado suspeito, pois teria vendido o carro recentemente. Os detetives agora procuram o comprador, que teria, de acordo com o ex-proprietário do carro, a aparência de um "latino" ou de alguém do "Oriente Médio". O veículo está sendo vasculhado por uma equipe de peritos, que procura por digitais e traços de DNA.

A polícia também não identificou quem dirigia o carro quando ele foi abandonado entre a Rua 45 e a 7.ª Avenida, mas fontes ligadas à investigação disseram que aumenta a cada dia as suspeitas de envolvimento de estrangeiros.

Em um vídeo de um minuto, divulgado ontem, uma facção paquistanesa do Taleban reivindicou a autoria do ataque, que seria uma "vingança" pela morte de seus líderes Baitullah Mehsud, Abu al-Baghdadi e Abu Ayyub al-Masri.

Mas o governo americano não acredita que a organização, que tem ligação com a Al-Qaeda, esteja por trás do caso. "Não há prova de que o caso esteja ligado à Al-Qaeda ou a qualquer outra grande organização terrorista", afirmou o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.

O principal suspeito ainda é um homem branco, na faixa dos 40 anos, flagrado por câmeras de segurança. As imagens, divulgadas na noite de domingo, mostram o homem abandonando o carro, olhando algumas vezes para trás e, em seguida, trocando de camiseta. No entanto, Bloomberg e Raymond Kelly, chefe de polícia, foram cautelosos ao comentar as imagens. "Ele pode ser inocente", disse Kelly.

O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, mostrou mais otimismo e disse ontem que os detetives obtiveram um "progresso substancial" nas investigações. "Temos algumas boas indicações", afirmou o secretário, referindo-se à análise de imagens de circuito interno de TV.

O presidente Barack Obama prometeu prender os responsáveis pelo atentado. "As equipes de segurança nacional já cumpriram as etapas necessárias para garantir que todas as agências, locais e estaduais, tenham total apoio e cooperação do governo federal", disse. "Faremos o que for necessário para proteger os americanos e determinar quem está por trás do ataque."

A polícia de Nova York continua investigando a possibilidade de o carro-bomba ter tido como alvo a Viacom, companhia que produz a série animada South Park. Em abril, os criadores do seriado receberam ameaças por ter levado ao ar um episódio no qual o Profeta Maomé aparece fantasiado de urso. O veículo estava estacionado a poucos metros da sede da empresa. / NYT, WP, REUTERS e AP

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