EFE
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Eurocopa e Champs-Elysées em Paris eram alvos do Estado Islâmico

Por meio de depoimentos dos terroristas detidos e de gravações interceptadas em um computador pessoal, polícia e serviços secretos desbaratam os planos de atentados na França

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 17h49

A célula terrorista do Estado Islâmico (EI) que atacou o Aeroporto de Zaventen e a estação de metrô de Maelbeek, em Bruxelas, planejava atingir a França durante o torneio europeu de seleções, a Eurocopa 2016, que será realizado entre 10 de junho e 10 de julho.

Além disso, pelo menos diversos outros alvos na capital francesa, entre os quais a Avenida de Champs-Elysées, foram identificados em arquivos digitais localizados em um computador apreendido durante as investigações. Trechos do depoimento de Mohamed Abrini, um dos elos entre os ataques de 13 de novembro em Paris e de 22 de março em Bruxelas, confirmam a intenção. 

Abrini foi preso na sexta-feira pelas autoridades da Bélgica e em seu primeiro depoimento admitiu ser o "homem do chapéu", como ficou conhecido o terceiro terrorista que atacou o Aeroporto de Zaventen, mas não cometeu atentado suicida, como os dois companheiros.

Com ele, foram presos três cúmplices dos ataques de Bruxelas: o sueco Osama Krayem, o belga Bilal El-Makhoukhi e o ruandês Hervé B.M. No sábado, o MPF belga divulgou um comunicado no qual confirmou que "o objetivo do grupo era atingir de novo a França", mas que "surpreendido pela investigação", "decidiu atingir Bruxelas". 

Nesta segunda-feira, 11, o jornal Libération revelou detalhes dos planos de ataque da célula terrorista franco-belga. Eles constam de três arquivos de áudio e texto encontrados em um computador portátil de Ibrahim el-Bakraoui, 29 anos, que ao lado de Najim Laachraoui cometeu o atentado suicida de Zaventen. Na primeira das gravações, El Bakraoui confirma a informação de Abrini, de que os membros do grupo anteciparam os planos e decidiram agir em Bruxelas, e não em Paris, em razão do risco de serem presos.

Um segundo arquivo, também de áudio, revela um diálogo com um suposto comandante das operações, ainda não identificado, que falava direto da Síria. Essa gravação, na qual também são mencionados alvos de ataque, comprova a suspeita dos investigadores franceses e belgas, que imaginavam que Abdelhamid Abaaoud, tido com o mentor dos ataques de Paris e abatido pela polícia em Saint-Denis quatro dias depois, não era o chefe de todas as operações.

Em um terceiro arquivo, há mais planos de atentados. Em todos, a Eurocopa 2016, bares, restaurantes e lojas da Avenida Champs-Elysées, o distrito de negócios de La Défense – um dos mais movimentados da Europa – e a sede da associação católica Civitas são mencionados como alvos prioritários. O computador de el-Bakraoui foi abandonado em uma lixeira, código para que outros membros do grupo terrorista o encontrassem e recebessem as instruções.

O Ministério Público Federal da Bélgica optou por não confirmar a informação. "Nós não faremos nenhum comentário sobre eventuais alvos", descartou Thierry Werts, porta-voz dos magistrados belgas.

Na França, o Ministério do Interior e até mesmo o presidente, François Hollande, já reconheceram que o torneio de futebol é um alvo potencial. Por isso, a segurança vai ser mais uma vez reforçada durante a competição. Várias cidades do interior do país analisam com as forças de ordem a pertinência de realização de eventos paralelos à Euro 2016, como as "Fan fests" – as reuniões de torcedores em dias de jogos das seleções.

Além de Abrini, as polícias e serviços secretos de França e Bélgica têm uma segunda fonte crucial para entender os planos da organização terrorista Estado Islâmico na Europa. Trata-se de Salah Abdeslam, autor dos atentados de Paris, detido quatro dias antes dos ataques a Bruxelas. 

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