EFE/ABI
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Evo desafia plebiscito e faz campanha por 4º mandato

Seu partido, o Movimento pelo Socialismo (MAS), o indicou como candidato em um congresso interno apesar de proibição da Constituição

O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2016 | 18h58

IVIRGARZAMA, BOLÍVIA - O presidente boliviano, Evo Morales, transformou ontem uma festa bolivariana esvaziada, destinada a lembrar sua chegada ao poder em 2005, no primeiro comício por um quarto mandato. A próxima eleição será em 2019.

Em fevereiro, Evo foi derrotado num plebiscito no qual a população rejeitou a possibilidade de ele disputar novamente a presidência. Ainda assim, no sábado ele se disse disposto a concorrer, depois que seu partido, o Movimento pelo Socialismo (MAS), o indicou como candidato em um congresso interno. 

Os dois principais convidados para a festa em Ivirgarzama, centro do país, não apareceram. Envolvido em uma grave crise econômica, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mandou o vice Aristóbulo Istúriz Almeida. O equatoriano Rafael Correa não justificou sua ausência.

O partido de Evo estuda quatro mecanismos jurídicos para tentar burlar a proibição a um novo mandato. A primeira alternativa cogitada pelo MAS é uma reforma parcial da Constituição por meio de uma iniciativa popular que colete assinatura de 20% do eleitorado. A segunda é uma reforma constitucional que permita a reeleição definitiva por mais de um período. A terceira é que o presidente renuncie seis meses antes da eleição de 2019. A quarta pressupõe a formação de um novo governo mediante interpretação diferente da Carta boliviana. Opositores consideraram ontem a manobra antidemocrática.

Evo ganhou sua primeira eleição em 2005, com 54% dos votos. Em 2009, venceu com 64%. Em 2014, obteve 61%. Sua grande derrota ocorreu no plebiscito de fevereiro, quando 51% dos bolivianos rejeitaram a possibilidade de ele voltar a postular o cargo. O governo argumenta que o resultado foi influenciado pelo rumor de que Evo tivera um filho com uma funcionária de uma empresa chinesa ligada ao governo. Depois da votação, a existência da criança foi desmentida e a mulher, presa.

Amparado no crescimento econômico anual médio de 4,5%, o líder boliviano fecha o ano com popularidade de 49%, segundo o instituto Ipsos. Se ganhar a próxima eleição, ficará até 2025 no poder. / AFP

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