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AP Photo/Juan Karita

Evo Morales pede para ver filho que acreditava estar morto

Criança é filha de sua ex-namorada Gabriela Zapata, presa na sexta-feira por tráfico de influência; família revelou no fim de semana que ela está viva

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O Estado de S. Paulo

29 Fevereiro 2016 | 17h10

LA PAZ - O presidente boliviano, Evo Morales, pediu nesta segunda-feira, 29, aos parentes de sua ex-namorada Gabriela Zapata, presa por tráfico de influência, que lhe permitam conhecer o filho dos dois, que ele acreditava que estava morto. 

"Evidentemente, houve uma divergência sobre a morte do bebê. Eu acreditava nas palavras e na informação da mãe do meu filho que me disse que o bebê havia morrido", disse Morales à imprensa no Palácio Quemado. "Peço à família de Gabriela Zapata que o traga para mim, estou esperando, quero reconhecê-lo. Tenho direito a vê-lo, a conhecê-lo e a cuidá-lo", afirmou. 

Uma tia de Gabriela revelou no fim de semana que a criança estava viva, em uma entrevista a um canal local. "Se o menino não for trazido, tenho a obrigação de recorrer às instituições, como juizado de menor, para que se investigue esse fato", afirmou Evo, que desde que se revelou essa versão tem insistido que Gabriela disse a ele que o bebê morreu poucou depois de nascer, quando eles separaram, em 2007. 

A relação entre o presidente, de 56 anos, e Gabriela, de 28, foi revelada no início de fevereiro pelo jornalista boliviano Carlos Valverde causando uma grande polêmica no país. Gabriela, advogada, foi presa na sexta-feira, 26, suspeita de tráfico de influência. Ela é gerente da multinacional chinesa CAMC, signatária de contratos de US$ 566 milhões com o Estado boliviano. 

A denúncia foi feita três semanas antes do referendo constitucional que rejeitou a possibilidade de Evo disputar seu quarto mandato. Ele foi derrotado por 51% a 49% dos votos e analistas dizem que o escândalo contribuiu para sua derrota. 

A pedido de Evo, os contratos do governo com a empresa chinesa são investigados pela Controladoria-Geral do Estado, comandada por um governista, e por uma comissão do Parlamento, no qual o Movimento ao Socialismo (MAS) tem a maioria.

Evo atribuiu sua derrota no referendo à repercussão da denúncia nas redes sociais durante a campanha, que considerou uma "guerra suja".

Quando veio a público a relação que manteve com Gabriela, o líder disse que não tinha voltado a vê-la desde que se separaram em 2007, mas sua versão foi desmentida pela aparição de fotografias de 2015, nas quais posaram juntos durante o carnaval.

O líder justificou que muitas pessoas se aproximam dele para tirar fotos e sua ex-companheira pareceu ser um "rosto conhecido", embora posteriormente tenha percebido que era realmente Gabriela Zapata. / EFE e AFP

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