Drew Angerer/Getty Images/AFP
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Ex-conselheiro de Segurança de Trump negou ao FBI ter discutido sobre sanções com embaixador russo

Segundo 'Washington Post', declarações feitas em entrevista à agência em janeiro contrariam informações obtidas em conversas interceptadas, complicando ainda mais a situação de Michael Flynn

O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2017 | 11h11

WASHINGTON - O ex-conselheiro de Segurança Nacional do presidente dos EUA, Donald Trump, negou a agentes do FBI, em uma entrevista realizada em janeiro, que teria discutido sobre sanções americanas impostas a Moscou com o embaixador russo em Washington antes do magnata tomar posse, segundo o jornal The Washington Post. As declarações de Michael Flynn contrariam as informações obtidas a partir de conversas interceptadas por agências de segurança divulgadas nesta semana.

A entrevista, feita no dia 24 de janeiro, complica ainda mais a situação de Flynn, já que mentir para o FBI é considerado crime. Mesmo assim, muitos oficiais disseram que ainda não se sabe o que os procuradores farão com o caso, em parte porque o ex-conselheiro pode querer analisar a definição da palavra “sanções”.

O jornal aponta que, em uma entrevista recente ao portal Daily Caller, Flynn afirmou que não discutiu sobre “sanções”, mas sim sobre a expulsão de 35 diplomatas russos pela administração do ex-presidente americano Barack Obama em um episódio qualificado como “operações de inteligência”. Antes disso, ele já havia negado ao Washington Post a menção do assunto na conversa com o embaixador. Pouco depois, ele divulgou um comunicado dizendo “que não tinha nenhuma lembrança de ter discutido sobre sanções, mas que não poderia afirmar com certeza que o assunto nunca foi mencionado”.

Dois dias após demiti-lo sob o argumento de perda de confiança, Trump defendeu Flynn e disse que ele é uma vítima do vazamento de documentos sigilosos para a imprensa. O presidente ainda ressaltou que a entrega de informações confidenciais para os veículos de comunicação é um “ato criminoso”.

Flynn perdeu o cargo depois da revelação de que ele discutiu sanções americanas contra a Rússia com o embaixador do país em Washington em dezembro, antes da posse de Trump. Segundo a Casa Branca, ele foi demitido por ter omitido a informação em relato da conversa feito ao vice-presidente, Mike Pence.

No dia 26 de janeiro, o Departamento de Justiça comunicou à Casa Branca que Flynn poderia ser alvo de chantagem da Rússia por ter mentido sobre o teor do telefonema com o embaixador. O porta-voz de Trump, Sean Spicer, disse que o presidente foi informado da preocupação de maneira imediata. Ainda assim, Flynn continuou a participar dos encontros diários do Conselho de Segurança Nacional, onde informações confidenciais são discutidas. / The Washington Post

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