ICTY via REUTERS TV
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Ex-general croata toma veneno e comete suicídio em Corte de Haia

Condenado por crime contra a humanidade, ex-comandante militar Slobodan Praljak chegou a ser socorrido por serviços de emergência, mas morreu pouco depois no hospital

O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2017 | 15h37

HAIA - O ex-general croata Slobodan Praljak, de 72 anos, morreu nesta quarta-feira, 29, após tomar veneno no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), em Haia, na Holanda. Praljak tinha acabado de ouvir da corte que sua apelação contra a pena de 20 anos de prisão a que foi condenado por crimes contra a humanidade tinha sido recusada.

“Slobodan Prajlak não é um criminoso de guerra. Estou rejeitando a sentença do tribunal”, declarou o croata de pé, em tom desafiador, após o juiz Carmel Agius comunicar a decisão. “Pare. Sente-se, por favor”, respondeu o magistrado. O ex-militar então ergueu um pequeno frasco de plástico e bebeu o líquido que estava dentro. “Tomei veneno”, disse.

Logo depois, Praljak se sentou e sua defesa afirmou ao juiz, visivelmente estarrecido, que seu cliente tinha dito que bebera veneno. Funcionários do tribunal correram para atender Praljak e o presidente da corte ordenou a suspensão da audiência. Minutos depois, chegou uma ambulância e um helicóptero. Vários socorristas o atenderam no tribunal, mas ele acabou morrendo no hospital.

Praljak foi comandante do Estado-Maior do Conselho Croata de Defesa da Bósnia e ordenou pessoalmente a destruição da Ponte de Mostar, cidade onde ocorreram os mais duros combates entre croatas e muçulmanos bósnios. Os juízes também consideraram que o ex-general ignorou todos os pedidos de ajuda quando, no verão de 1993, os soldados servo-croatas perseguiram os muçulmanos em Mostar.

A audiência tratava da apelação de seis ex-líderes croatas acusados de crimes de guerra no conflito contra muçulmanos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995). Os juízes do TPII tinham acabado de confirmar a condenação a 25 anos de prisão do ex-dirigente croata Jadranko Prlic por ser considerado responsávelpelo deslocamento forçado de populações muçulmanas e por assassinatos, estupros e destruições de bens civis.

Os atos foram qualificados pela acusação como crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O veredicto de ontem seria o último do TPII antes do recesso da corte, em dezembro.

A sala de audiência onde ocorreu o incidente foi declarada “cena de crime” e “uma investigação foi aberta pela polícia holandesa”, anunciou o juiz Agius, antes de retomar o julgamento, mais tarde, em outra sala do TPII.

O primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenkovic, declarou que o suicídio de Praljak ocorreu em razão da “injustiça” por ele ter sido condenado a 20 anos de prisão por crimes de guerra. “O seu ato fala da profunda injustiça moral contra seis croatas da Bósnia e contra o povo croata”, disse Plenkovic, em entrevista coletiva em Zagreb, em referência aos outros cinco croata-bósnios condenados.

O primeiro-ministro croata disse ainda que seu país buscará “os modos jurídicos e políticos” para rebater as conclusões da sentença que se referem à Croácia. Plenkovic negou que a sentença vá influenciar negativamente as relações entre Croácia e Bósnia-Herzegovina. / REUTERS e AFP

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